A perseguição aos vetocalendaristas pela igreja grega durante os primeiros anos da inovação do novo calendário
Por Nikolaos Mannes
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Muitas vezes, e por muitas pessoas, ouvimos dizer sobre aqueles velhos calendaristas como fanáticos, extremos e muitas vezes acusados de zelosos pelo conhecimento, mas faltosos no amor. No entanto, o que com frequência não escutamos é sobre o tratamento inicial dos velhos calendaristas pela igreja oficial da Grécia.
O presente sermão trata desse tema.
Ao longo de toda a história da Igreja, você não encontrará um único exemplo de pastores ortodoxos que tenham perseguido e atormentado seus adversários.
Na verdade, o que sempre aconteceu foi o oposto. Ortodoxos, invariavelmente, são perseguidos por hereges. E a existência dessa verdade histórica - a saber, a justiça está ao lado dos perseguidos e não dos perseguidores - é suficiente para evidenciar que aqueles que seguem o velho calendário estão no caminho correto.
O propósito principal deste sermão será o de refutar o engano seguido pelo Padre Epiphanios Theodoropoulos (+ 1989), repetido até hoje por muitos seguidores do novo calendário: “Deixe os velhos calendaristas seguirem o velho calendário e ainda assim manterem comunhão com a Igreja [estatal].” O ponto é que os seguidores do velho calendário sempre fizeram isso; não houve ruptura, separação ou divisão. Eles simplesmente estão buscando celebrar os serviços seguindo o velho calendário: pediram aos seus padres que ministrassem a liturgia conforme o antigo calendário.E qual foi a resposta da hierarquia governante? Perseguições, açoites, insultos, prisão, exílio, destituição do sacerdócio, excomunhões e até mesmo assassinatos.
Portanto, é evidente o fato de que a divisão criada pela reforma do calendário na Grécia foi resultado único e exclusivamente da Igreja oficial, a qual deve nada menos do que um profundo pedido de desculpas aos adeptos do calendário antigo, não com palavras, mas com um retorno ao caminho certo do qual se desviou, justificando assim a luta desses fiéis defensores da Ortodoxia.
Seguiremos agora essa linha do tempo de injustiça documentada pelos jornais da época. Nos limitaremos a um período de quatro anos [1924 a 1928], visto que nem mesmo dez sermões como esse seriam suficientes para recontar todos os crimes cometidos pela Igreja oficial.
1924
A primeira grande festa que aconteceu após a inovação do calendário foi a Anunciação da Theotokos. Já tendo sido celebrada após a mudança, na tarde de 6 de abril, muitos fiéis reuniram-se em várias igrejas da Grécia a fim de celebrar as Vésperas da festa seguindo o Antigo Calendário.
Na Metrópole de Atenas, centenas de fiéis pediram aos padres a fim de terem o serviço. No entanto, o Metropolita Chrysostomos (Papadoulos) proibiu e ameaçou depor qualquer padre que ousasse tentar algo. Ele enviou um batalhão de polícia para dispersar a multidão e fechar a Igreja, ordenando também que outras igrejas permanecessem fechadas para que a Anunciação não pudesse ser celebrada em nenhum lugar seguindo o Velho Calendário.
Em Tessalônica, dois mil cristãos reuniram-se na noite da Anunciação e aguardavam o início da Festa. O Metropolita Gennadios (Alexiades) enviou a polícia, dispersando a multidão de fiéis e chegando a prender três indivíduos. No dia seguinte, ordenou o fechamento de todas as igrejas e que o tradicional serviço das Matinas não fosse cantado, sob a justificativa de evitar quaisquer “irregularidades”.
Desde o início, a Igreja oficial demonstrou atitudes como essas em relação a todos os que se recusavam a aceitar o Novo Calendário. O simples fato de seguir o Antigo Calendário era considerado uma ofensa e, por isso, clérigos foram condenados sob a acusação de “anticalendarismo”. A primeira punição a um clérigo não demorou a chegar. Em abril ou maio de 1924, o pároco de setenta e dois anos da Igreja de São Demétrio em Aspropyrgos, o padre Demétrio Dedes (1852-1927), foi punido com uma suspensão de dez dias por se recusar a cumprir a inovação do calendário.
Aos poucos, em toda a Grécia, a Igreja oficial deu início a perseguições, com o apoio do Estado, a fim de impor a inovação. Veja como o *Pantainos*, a revista do Patriarcado de Alexandria, descreve a situação:
Todos os amargos e corruptos frutos que foram e estão sendo produzidos pelo inexplicável fervor em impor o Novo Calendário podem ser vistos nas manifestações de violência ocorridas diariamente, nas quais igrejas são fechadas, cristãos são impedidos de cumprir suas obrigações religiosas por força militar, padres são levados de ilha em ilha e julgados por violar as determinações relativas ao calendário e por seguirem o já estabelecido – tudo indubitavelmente registrado por documentos e relatos orais… Você segue o Antigo Calendário, o Calendário da Igreja transmitido pelos Padres? Se você é leigo, a Igreja está fechada para você! Você está proibido de comungar! A prisão o aguarda. Você segue o calendário de sua religião, de sua Igreja, de sua consciência? Se você é padre, está condenado à suspensão, à destituição, à excomunhão. Poderiam os perseguidores dos antigos cristãos ter ido além disso? Que heresia inventou algo mais grave contra os ortodoxos?
Chegou a grande Festa da Natividade de Cristo. Os adeptos do calendário antigo decidiram celebrar uma vigília na Igreja de São Terapão, em Goudi [um bairro de Atenas]. Muitas pessoas de Atenas e da região circundante reuniram-se na então pequena igreja e deram início à liturgia. No entanto, o Metropolita enviou novamente soldados para dispersar a multidão, que ultrapassava duas mil ou, segundo outros, três mil pessoas! A princípio, um oficial e dois suboficiais chegaram e ordenaram que os fiéis saíssem da igreja. Perante a recusa dos fiéis, os soldados sacaram revólveres! Em seguida, entraram no santuário e se aproximaram do sacerdote, o padre Parthenios de Iveron, com quem se seguiu o seguinte diálogo revelador:
“Padre, o que o senhor vai celebrar nesta noite?”
“A Liturgia da Natividade de Cristo”, respondeu o padre.
“Não”, disse o oficial, indignado; “o senhor vai celebrar a Liturgia de São João”.
Perante a insistência do padre em celebrar a liturgia da Natividade, o oficial ordenou-lhe que saísse da igreja, ao que o padre Parthenios respondeu: “Faço parte do clero que não reconheceu a mudança de calendário. Fui chamado para celebrar nesta Igreja e não sairei até ter concluído a Liturgia”.
Então, um dos soldados correu para tirar-lhe o kalymmauchion [o chapéu tradicional de um padre ortodoxo], mas os fiéis o impediram e, repreendendo-os, forçaram os oficiais a recuar. Pouco tempo depois, surgiu um automóvel com quarenta soldados armados, e seu comandante ordenou que a Liturgia fosse interrompida. Como o padre se recusou e havia uma grande multidão de fiéis que permaneceu ao seu lado, eles ficaram parados, vigiando a igreja do lado de fora. No dia seguinte, Chrysostomos (Papadopoulos) anunciou que iria destituir o padre Parthenios.
1925
Alguns dias depois, chegou a festa da Teofania. Foi celebrada uma vigília na Igreja dos Dois Santos Teódricos, em Palaion Phaleron (hoje localizada em Nova Esmirna [um subúrbio de Atenas]), com a participação de cerca de 3.500 fiéis. A polícia interveio mais uma vez, devido à instigação do Metropolita, e dispersou a multidão de fiéis à força. A “Associação dos Ortodoxos” [como se autodenominavam os defensores do Calendário Eclesiástico] havia previsto isso, devido aos episódios ocorridos na Festa da Natividade, e por essa razão havia planejado que as Vésperas e as Matinas fossem celebradas à noite na igreja em questão, mas que a Divina Liturgia, com o serviço da Grande Bênção da Água, fosse realizada na Igreja de São Jorge Xerotagaros, em Palaion Phaleron, com o sempre memorável sacerdote, o padre Ioannes Phloros, oficiando. No entanto, tropas invadiram o local e dispersaram a multidão de fiéis à força, prendendo muitos deles.
Vamos ler um trecho característico da imprensa da época que descreve a proibição das liturgias:
Quando soube da continuação da cerimônia, o oficial responsável ficou furioso. Não se passou nem uma hora quando ele lhes deu uma ordem severa para que “se dispersassem em nome da lei” e, ordenando que seus subordinados, armados com baionetas, atacassem a congregação, ele primeiro deu um sinal e depois começou a desferir coronhadas, e seus subordinados faziam o mesmo. Muitos foram agredidos, véus das mulheres foram arrancados, e ícones sagrados foram jogados, enquanto o povo, sem oferecer resistência, protestava contra esse vandalismo.
No decorrer do ano, não ocorreram incidentes graves, uma vez que a notória ditadura de Pangalos interveio, e ele se mostrou mais benevolente do que os hierarcas da Igreja oficial.
1926
Desde 1924, a pedido do Ancião Philotheos Zervakosm, as freiras do Convento de Kechrovouni, em Tenos, recusavam-se a aceitar a reforma do calendário. Diante da recusa persistente das irmãs, o Metropolita Athanasios (Lebentopoulos) de Syros recorreu a outro meio. Ele ameaçou destituir o padre casado que servia no convento, o padre Matthew Evripiotes, caso ele continuasse a celebrar a liturgia de acordo com o calendário antigo. O padre cedeu e a abadessa Evphrosyne, junto com as freiras que se recusaram a obedecer, foram indiciadas e punidas no tribunal eclesiástico local, em outubro de 1925, perdendo seus cargos no convento e sofrendo banimento. As freiras não reconheceram a validade do veredicto e, por esse motivo, o Metropolita apresentou uma acusação contra elas perante o Sínodo da Igreja oficial. Após isso, levaram as irmãs até a polícia local e, após passarem a noite na delegacia de Tenos, foram transferidas para Atenas.
Lá, após uma farsa de julgamento (que ocorreu durante a primeira quinzena de abril de 1926), elas foram condenadas — com exceção da abadessa, que solicitou perdão — à destituição do estado monástico e à excomunhão! A multidão de fiéis que se reunira para oferecer apoio foi dispersada pela polícia. No mesmo dia, no convento, as freiras que compartilhavam da mesma opinião realizaram uma cerimônia de súplica na cela da freira Pelagia (Karouse) por um desfecho favorável no julgamento. (O convento era idiorrítmico.) Durante essa cerimônia de súplica, a Madre Hieronymia (Voutsinou), a abadessa temporária que o metropolita inovador havia nomeado, irrompeu no local, acompanhada por algumas das freiras que haviam aceitado o Novo Calendário, bem como por vários leigos, e juntos espancaram as freiras, deixando as irmãs Madalena e Atanásia inconscientes devido aos duros golpes.
Ao mesmo tempo, revistas eclesiásticas da Igreja oficial, como a Ekklesia e a Anaplasis, bem como vários jornais seculares, lançaram dezenas de ataques e insultos contra os adeptos do calendário antigo, acusando-os de serem “fanáticos”, “religiosos [fanáticos religiosos]”, “charlatões” e “retrógrados”.
Novamente houve incidentes na Festa da Natividade, em 1926, principalmente nas províncias. Em Tessalônica, o Metropolita Gennadios mais uma vez impediu os ortodoxos de celebrar esta grande Festa e, quando a multidão protestou, a polícia foi novamente mobilizada. Em Megara, os habitantes “ignoraram a pressão e as ameaças da polícia, que até o último momento ameaçou prender e atirar em qualquer um que ousasse comparecer à Liturgia [da Natividade]” e celebraram a festa com coragem. Em Salamina e Karditsa, as forças policiais, em cooperação com as autoridades eclesiásticas, lacraram as capelas rurais, de modo que os ortodoxos genuínos, encontrando-se sem igreja, não pudessem celebrar a festa.
1927
Em Nikete, na península de Calcídica, véspera da Teofania de acordo com o calendário eclesiástico, o padre Hilarion, da Santa Montanha, que celebrava a liturgia para os ortodoxos tradicionais [o Monte Athos seguia o calendário antigo], foi detido sem motivo pela polícia. Em consequência, mais de mil fiéis cercaram a casa onde o padre estava detido, conseguindo libertá-lo e, no dia seguinte, celebraram a Festa da Teofania. Mas a alegria durou pouco, pois, logo após, uma força militar chegou ao local, reunindo todas as pessoas na praça da vila, para depois prendê-las, seguindo a acusação de um padre do Novo Calendário. Os cerca de vinte cristãos que haviam sido presos foram transferidos para Polygyros, onde ficaram detidos por vinte dias e, posteriormente, condenados a três meses de prisão. A Comunidade do Monte Athos emitiu, assim, [sob pressão], um comunicado que proibia os hieromonges da Montanha Sagrada de continuarem a servir os seguidores do calendário antigo.
O ano de 1927 também foi marcado pelo assassinato da Nova Mártir Catarina Routtes. Em Mandra, na Ática, os fiéis do Velho Calendário haviam se preparado para celebrar uma vigília pela Festa dos Arcanjos. Após as Vésperas, surgiu um grupo de gendarmes, com a ordem de dispersar a congregação e prender o celebrante, o padre Christophoros Psallidas. Os fiéis trancaram-se na igreja e os gendarmes começaram a bater violentamente nas portas, a fim de derrubá-las, chegando até mesmo a quebrar as vidraças, mas foram impedidos de avançar devido às grades de ferro das janelas. Quando a vigília terminou, os fiéis saíram da igreja, protegendo o padre com seus corpos. Os gendarmes começaram a disparar tiros para intimidá-los. Mais de quarenta tiros foram disparados, e uma bala feriu levemente Angelike Katsarellou na cabeça. Em seguida, os gendarmes começaram a espancar os fiéis e o padre com as coronhas de seus rifles. Catherine Routtes, uma jovem mãe de quatro filhos, foi gravemente ferida na cabeça e transferida para o Hospital da Anunciação, onde faleceu alguns dias depois.
Outra mulher, a Nova Mártir Charikleia Lioules, foi presa e encarcerada, onde faleceu devido às privações sofridas alguns meses depois, no Domingo da Ortodoxia, em 5 de março de 1928. Lemos sobre seu funeral em um jornal da época:
Na segunda-feira seguinte, realizou-se um funeral majestoso e comovente para a Nova Mártir Charikleia Lioules em Mandra de Eleusis. Aquela que havia partido para a vida eterna sofreu um grave derrame como consequência dos maus-tratos a que foi submetida na prisão, onde havia sido confinada alguns meses antes por ter participado de uma Liturgia celebrada de acordo com o Antigo Calendário. Sua devoção à Santa Tradição chegou ao ponto do autossacrifício. As orações pelos mortos foram lidas pelo padre Basileios Sakellaropoulos, que foi chamado de Atenas para esse fim, e o funeral foi uma verdadeira peregrinação dos fiéis a uma santa.
Um incidente semelhante ao ocorrido em Mandra aconteceu em Tessalônica, onde, felizmente, não houve mortes. Na Festa de São Demétrio, o chefe da polícia de Kalevra, a pedido do Metropolita Gennadios, lacrou a Igreja dos Três Hierarcas e colocou uma guarda no local. Mas quando as pessoas começaram a se reunir do lado de fora da igreja e a protestar, um forte contingente policial interveio e espancou violentamente a multidão, composta principalmente por mulheres e crianças. Exatamente a mesma coisa aconteceu durante a Vigília da Natividade em outra igreja de propriedade privada dos calendristas antigos em Tessalônica, dedicada ao Ícone de Eleusa.
1928
Em fevereiro de 1928, ainda em Tessalônica, aconteceu um ato de sacrilégio sem precedentes. Um grande destacamento de policiais invadiu a Igreja dos Três Hierarcas e dispersou a multidão, prendendo um grande número de fiéis. Mas, não contente com isso, o segundo-tenente Sephakes, da segunda divisão policial, teve a audácia de invadir o altar pela Porta dos Belos. Agarrando o padre Akakios, um hieromonge de Chipre, que estava celebrando a liturgia, e o jogando para fora do altar, rasgando suas vestes.
No Domingo da Ortodoxia de 1928, em Paiania (então Liopesi), novos episódios ocorreram. O oficial responsável pela delegacia, Georges Maliares, acompanhado por dois gendarmes, invadiu a Capela de Santa Marina e tentou prender o padre Parthenios, o Hagiorita [um monge de Monte Athos], durante uma liturgia. Ao ter encontrado uma firme proteção por parte da igreja, ele sacou um revólver e ameaçou atirar nos fiéis. Após isso, o oficial solicitou reforços da delegacia de Koropio, e o prefeito da comunidade, Sr. Kolias, foi preso.
Em 6 de abril de 1928, algo incrível aconteceu. Milhares de fiéis, que se haviam reunido em Pireu com o objetivo de ir a Tenos para celebrar a Anunciação da Theotokos segundo o Calendário Antigo, foram informados, para sua surpresa, de que, devido à pressão da Arquidiocese de Atenas, o Ministro do Interior havia proibido o barco de zarpar! Imediatamente, centenas de ortodoxos, que já haviam comprado passagens no valor de setenta mil dracmas, correram para Atenas de trem e se reuniram em frente ao Parlamento para protestar contra a medida sem precedentes dirigida contra eles. Lá, estenderam seus cobertores e sentaram-se com suas velas (suas oferendas à Panagia [Mãe de Deus]) aguardando a decisão de suspender o embargo. Essa cena levou os transeuntes a se aproximarem e perguntarem o que estava acontecendo. Naquele exato momento, porém, foi dada uma ordem e um caminhão de bombeiros da polícia começou a molhar a multidão, a fim de dispersá-la. Gritos de protesto foram ouvidos: “O que fizemos para merecer tal punição? Que mal fizemos a vocês? Por que não nos deixam ir venerar a Panagia?” E continuamos a ler no referido jornal da época:
O caminhão de bombeiros continuou a molhar as pessoas. No entanto, os adeptos do calendário antigo, encharcados até os ossos, não se dispersaram. Apenas as crianças pequenas que as mães adeptas do calendário antigo carregavam nos braços soltavam gritos de tristeza. Enquanto o caminhão de bombeiros continuava a molhar os adeptos do calendário antigo, os soldados cutucavam com baionetas aqueles que, para evitar ficarem encharcados, tentavam entrar no recinto do Parlamento em busca de refúgio. Para que conste, no final, a embarcação não recebeu autorização para partir.
Durante a Semana Santa, ocorreram novas perseguições. Em Salamina, durante a Liturgia da Quinta-feira Santa, um grupo de policiais, liderado pelo segundo-tenente Stathopoulos, invadiu a Capela de Santo Atanásio em Boulki, com o objetivo de prender o padre que oficiava, o padre Gideão, precedente do Santo Mosteiro de Konstamonitou. A prisão foi impedida pela reação dos fiéis e, em retaliação, a polícia deteve os monges Padre Arsenios (Xerouchakes) e Padre Nectarios (Koukoulakes), que continuaram, mesmo na prisão, a entoar o ofício das Matinas da Sexta-feira Santa. Em Menidi, os ortodoxos convocaram o padre Basileios Sakellaropoulos para celebrar a liturgia, mas, por ordem do arcebispo Chrysostomos, a polícia o prendeu e o transferiu para o Departamento de Detenção. Cerca de trezentos fiéis estavam reunidos ali e, após protestos, conseguiram obter sua libertação. No entanto, Papadopoulos ordenou imediatamente que fossem presos novamente, juntamente com o líder da comunidade.
Em maio, novamente em Tessalônica, ocorreram novos ultrajes. Vejamos como um jornal da época os descreve:
Na semana passada, os cristãos ortodoxos que seguem o calendário festivo tradicional queriam realizar uma procissão em uma das igrejas particulares pertencentes à sua associação ortodoxa, a fim de rezar pelo fim dos terremotos, com a intenção de arrecadar fundos para as vítimas de um terremoto recente. Esse ato enfureceu profundamente o metropolita local, Gennadios, que ordenou à polícia que impedisse esses cristãos de realizar a procissão e que prendesse os padres, enviando-os para a prisão acorrentados. E, de fato, a polícia, que se faz um prazer em cumprir ordens ilegais quando tem a oportunidade de ridicularizar o clero na Igreja, após dispersar os cristãos à ponta da baioneta como se fossem comunistas, prendeu os padres justamente quando eles realizavam a procissão. Tratando-os como se fossem malfeitores da pior espécie, algemaram-nos e os confinaram em prisões, de onde os transferiram para Atenas no dia seguinte.
Ao tomar conhecimento dos acontecimentos, o editor desta publicação dirigiu-se à prisão em Atenas e exigiu saber o que havia ocorrido. Ele apresenta o seguinte relato em seu jornal:
Após relatar os eventos acima mencionados, os padres descreveram o comportamento da polícia nos termos mais severos e criticaram a atitude do Metropolita Gennadios e dos outros hierarcas que perseguem os padres por seguirem o calendário tradicional e se recusarem a se tornar latinos, enquanto permitem que os defensores de várias heresias realizem livremente sua obra infernal. Ele não conseguiu terminar sua conversa com os padres, pois gendarmes chegaram e os prenderam a mando de Chrysostomos, levando-os para o exílio que ele havia determinado para eles.
Perseguições continuaram durante todo o país. Na noite do dia 14 de agosto, em Litoselo, Phtiotis, gendarmes ocuparam a Igreja de São Jorge, proibindo o padre e os fiéis de celebrarem e participarem da liturgia. Naquele outono, refugiados que vieram da região de Serres, fugindo da escravidão dos turcos, enviaram um memorando a Venizelos, no qual escreveram, entre outras coisas, o seguinte texto:
Nós, que chegamos à hospitaleira terra da Grécia, nossa pátria, estamos verdadeiramente perplexos com as medidas severas e desumanas tomadas contra os ortodoxos genuínos. Nós, os ortodoxos do calendário antigo, como seres humanos, como cristãos ortodoxos e como cidadãos gregos, exigimos que nos seja concedido o que é praticado por pessoas de outras religiões, incluindo católicos, protestantes e maçons; a saber, a liberdade de participar de cultos em uma igreja específica com padres que compartilham de nossas convicções. Este é o nosso desejo, e o defenderemos mesmo que seja nosso sangue. Se, Deus nos livre, esse honorável governo não conceder nosso pedido, buscaremos, em última instância, por todos os meios legais, a proteção da Liga das Nações, que, de acordo com o Tratado de Lausanne “relativo às minorias religiosas”, obrigará a Grécia, agora nossa pátria, a atender ao pedido dos adeptos do calendário antigo.

Padre Arsênio, preso, raspado e encarcerado por ser "velho-calendarista"
Concluímos o ano de 1928 e este discurso com uma reflexão sobre o valente hieromonge, o padre Arsênio (Sakellares). O padre Arsênio, que exercia o ministério sacerdotal nas aldeias de Pyrgos e Bitola, na então Diocese de Ftiotis, recusou-se desde o início a aceitar a inovação do calendário e, por esse motivo, foi levado a julgamento e condenado à “destituição” em 1926. Este padre, que certamente estava ciente de que sua falsa deposição era ilegal e nula e sem efeito, continuou a celebrar a liturgia. Após uma segunda acusação, foi preso, sem mandado, na tarde de 9 de abril de 1928 e levado para a delegacia de polícia em Lamia. No dia seguinte, o sargento Evstathios Arapostathes e um dos gendarmes algemaram o padre Arsenios. O primeiro lutava para mantê-lo imobilizado, enquanto o segundo cortava sua barba e cabelo com uma tesoura grande e, mais tarde, com uma máquina. Esse terrível acontecimento, que ocorreu por recomendação do Metropolita Iakovos (Papaioannou) de Ftiotis, não desanimou os ortodoxos genuínos, que apresentaram uma resposta inteligente em uma carta de um de seus irmãos a um jornal da época:
O hieromonge mártir continuará, sem dúvida, a exercer diversas funções sacerdotais, mesmo após ter sido raspado. Afinal, vários padres raspados da Arquidiocese de Atenas celebram tais serviços, com a diferença de que estes últimos cortam cabelos e barba voluntariamente em diversas barbearias da capital, enquanto o infeliz Arsenios o foi à força na delegacia de polícia de Lamia.
Após ter sido raspado, o padre Arsenios foi indiciado no tribunal de primeira instância de Lamia, onde foi condenado a noventa e cinco dias de prisão. No entanto, ele interpôs recurso, e um novo julgamento foi marcado no Tribunal de Apelação de Atenas. O julgamento ocorreu em 28 de novembro, e o hieromonge de cinquenta e seis anos foi condenado a dois meses de prisão. Ele foi levado e encarcerado na Antiga Guarnição [ό Παλαιός Στρατών, um complexo de celas de guarnição] em Monasteraki, que era notória por sua miséria (cerca de oitocentos detentos estavam amontoados nos confins dessas prisões, em condições precárias caracterizadas por umidade, insetos, abuso de drogas, acesso a armas e por brigas diárias). Um jornalista conseguiu realizar uma entrevista, em dezembro de 1928, com o padre Arsenios, que se encontrava preso, e que vale a pena narrar como epílogo a este discurso:
Sem perder tempo de uma prisão a outra, eu descobri que aqui, entre as celas do presídio de Palaios, em Monasteraki, um determinado padre foi encarcerado por celebrar a liturgia de acordo com o velho calendário.
‘Por quem o senhor procura?’
‘O pai Arsênio.’
‘Venha por aqui.’
Fui conduzido ao notório bodrum dos temois venezianos, cujo objetivo era punir crimes contra a humanidade e, à distância, sem ter a menor ideia de sua identidade, avistei um condenado vestido com uma batina. Assim que percebi estar diante do padre Arsênio, parei; ou, para ser mais preciso, fiquei pasmo. Todo o seu rosto estava imbuído de serenidade, um olhar simples e radiante, uma atitude que atestava sua fé — uma atitude imponente, apesar de testemunhar a tribulação pela qual ele havia passado.
“Sua bênção, pai." Disse-lhe após notar seu olhar estranhamente inspirador. Então me abaixei e beijei sua mão direita. À minha saudação, vi um discreto sorriso se formar nos lábios do padre de Cristo, que me respondeu:
‘O Senhor o abençoe, meu filho.’
‘Padre, sou um jornalista e, para lhe dizer a verdade, estou tomado de uma genuína curiosidade para aprender e ouvir as palavras de sua boca.
‘Primeiro, no que o senhor crê? E por que decidiu virar padre? Por que não seguir o velho calendário e as outras inovações? Por que continua servindo mesmo tendo sido deposto? Como o senhor enxerga sua condenação?’
“E, em segundo lugar: você continuará firme em sua posição? E por quanto tempo?”
“Meu filho, ficaria muito feliz [em responder], e rezo para que meu Senhor e meu Deus, a quem sirvo e por causa de quem estou na prisão, me conceda as palavras certas para responder às suas perguntas.”
E, fazendo o sinal da cruz, ele disse com uma ingenuidade infantil e um temor sagrado quase imperceptível:
‘Sou um padre de “caipira” com formação limitada, embora não seja inculto. Como leigo, acreditava, e como padre também acredito no nosso Símbolo de Fé: “Creio em um só Deus”, ou seja, nas Sagradas Escrituras — o Antigo e o Novo Testamento — e em tudo o que nossos Santos Padres decretaram por escrito e transmitiram à nossa Igreja pela Tradição. Em três palavras: as Escrituras, as Tradições e os Sete Sínodos Ecumênicos. Tal era a minha fé como leigo. A minha fé como padre, desde que nosso Santo Deus me concedeu, a mim, Seu servo inútil e indigno, a celebração de Seus Mistérios Divinos e sagrados que ultrapassam a compreensão, inclui essa mesma fé que eu tinha como leigo, bem como uma confissão, um compromisso formal perante Deus e os homens, “de que preservarei a Fé imaculada e cumprirei exatamente meus deveres eclesiásticos”, tal como os recebi e me foram ensinados, sem acrescentar nem subtrair nada, sem hesitação ou reserva, e de forma inabalável. Isso eu confessei, e isso eu tenho defendido. Isso eu defendo, e com essa fé eu morrerei. Por mais indigno que eu seja, meu filho, tornei-me Sacerdote do Deus Altíssimo, de Cristo, nosso Deus e Salvador, e com a Sua ajuda permanecerei assim até a morte no meu posto. O que mais você me perguntou, meu filho?’
“Por que você se tornou padre?”
“Ah, essa é uma questão da qual eu não havia falado abertamente até agora. Minha mãe e nossa Igreja me ensinaram que a melhor coisa que se pode alcançar neste mundo é ‘salvar a alma’: agradar a Deus, praticar atos nobres e bons, e não adorar as coisas materiais ou o mundo, mas a Deus. Minha alma absorveu essa lição, e tornei-me padre, não para ganhar meu pão [diário], como um padre profissional — como vocês, pessoas mais instruídas, dizem —, mas como padre da Igreja Ortodoxa, a fim de salvar minha alma. E por essa razão não me interessam os decretos de Anás e Caifás, nem tudo o que eu teria se tivesse sido obediente à impiedade de alterar as tradições, mas sim o meu rebanho, as ovelhas que Cristo confiou a mim, Seu humilde e menor servo.
É por isso que não sigo o Novo Calendário: porque ele não me foi transmitido quando me tornei sacerdote. E também porque meus Santos Padres entoavam hinos e adoravam a Deus de acordo com o Antigo Calendário e porque a adoração que eles assim ofereciam à “Santíssima Trindade e em honra dos Santos” era verdadeira, canônica e santa, de tal forma que se tornaram santos servos de Deus e entraram no seio de Abraão. Por meio de sua santidade e de seus escritos divinamente inspirados, eles também ajudam aqueles que desejam entrar ali. Pergunto-lhe, senhor, de que maneira nos beneficiamos da inovação do Novo Calendário, de um novo Paschalion, de espetáculos teatrais e cabelos aparados, de liturgiar com protestantes e de tudo o mais, a mim desconhecido, que os Hierarcas inovadores pretendem — a fim de nos levar ao Paraíso ou ao Inferno, a Deus ou ao Diabo? Tudo tem uma razão e serve a algum propósito na Igreja. O único e essencial propósito da Igreja é tornar um cristão santo, isto é, digno de entrar no Paraíso. E já que todos aqueles que até hoje se tornaram santos, por quase dois mil anos, e encontraram o Paraíso com o Antigo Calendário, por que deveríamos querer o Novo Calendário? De que nos servirá? Talvez, meu filho, você me pergunte o que o presidente do Tribunal de Apelações me perguntou no meu julgamento anteontem: “O padre sabe mais do que o metropolita?” Eis a minha resposta para você, meu filho. Meus Santos Padres — Crisóstomo, Basílio, Gregório e tantos outros — conhecem tanto a mim, o padre sem instrução, quanto ao metropolita culto. E, visto que todos os Padres adoravam a Deus segundo o Antigo Calendário, todos os dois mil que constituíram os sete Sínodos Ecumênicos e que determinaram como nós, padres e leigos, devemos cumprir nossos deveres, como você pode querer que eu viole meu juramento, renuncie aos meus Santos Padres e siga Hierarcas com cabelos e barbas aparados? Isso nunca acontecerá. Acredito, meu filho, sendo um Sacerdote do Altíssimo e não tendo alterado as coisas da Igreja, mas tendo-as guardado como a menina dos meus olhos. Permaneço, pela Graça do Senhor, um Sacerdote de Cristo, e não sou um Sacerdote de Hierarcas que aparam seus cabelos e barbas. Sempre servirei na Casa de Deus, desde que não seja impedido pelas lanças de Pilatos, já que não fui deposto nem por atos imorais nem por ideias heréticas. Não, eles cortaram meu cabelo e minha barba e me jogaram na prisão porque mantive e continuo a manter meu juramento e toda a minha fé. E o que dizem as Escrituras? “Devemos obedecer a Deus antes que aos homens. Vai, meu filho, e faze o mesmo.”
Depois de me abençoar, o fiel e verdadeiro Sacerdote da Ortodoxia, digno de admiração e amor, escondeu-se em sua escura cela, a fim de servir a Deus, que o fortaleceu.
Ao concluir este discurso, devo enfatizar que, ao apresentar estes documentos relativos às perseguições de nossos antepassados, meu objetivo não é o de gerar ódio, mas expor a hipocrisia; não aumentar a divisão, mas apresentar a verdade, que liberta as pessoas e as aproxima.
Muito obrigado.
fonte: https://www.orthodoxtraditionalist.com/post/persecutions-of-the-greek-old-calendarists-by-the-official-church-during-the-first-years-of-the-cale