Esta é a quarta parte da série de publicações “História da Igreja Ortodoxa”.

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Com a graça de Deus, chegamos à segunda grande era da História da Igreja: a Idade Média.

Parte II

Tempos Medievais

(A.D. 700-1453)

8. O Espalhamento do Cristianismo Entre os Eslavos.

Sérvios, Croatas, Dálmatas e Eslavos na Grécia.

Apesar de embaraçado por vários obstáculos internos e externos, os quais trataremos nas próximas páginas, o Cristianismo continuou na Idade Média a conquistar novos territórios. Os mais importantes desses para a Igreja Oriental foram os povos eslavônicos. Os primeiros a receber o Evangelho, tão cedo quanto o século sétimo, foram os sérvios. os croatas e os dálmatas, estabelecidos na Península dos Balkans, de quem os sérvios, pela graça de Deus, permaneceram Ortodoxos, enquanto que os croatas e dálmatas, unindo-se com o Reino Húngaro, passaram para a jurisdição de Roma, e abraçaram os dogmas da Igreja Ocidental. Mais tarde, no século nono, o Cristianismo se espalhou por todas as tribos eslavônicas, que, acossados pelos Ávaros, pelo norte extravasaram pela Macedônia, Tessália, a Ilha principal da Grécia e Peloponeso do século sexto em diante, pondo em perigo não só o caráter nacional, mas também o Cristianismo dos países que eles invadiram; pois eram politeistas, e o politeismo há muito tinha morrido na Grécia, exceto na região de Taygetos, onde até o século nono os Maniatas ainda continuavam a adorar ídolos em suas casas nas montanhas. Mas os Imperadores Bizantinos Miguel III (842-867) e Basílio o Macedônio (867-886) mandaram seus generais para subjugar os invasores eslavos, que eram, além disso, constantemente saqueados e enfraquecidos por epidemias continuadas, e gradualmente foram assimilados tanto em nacionalidade quanto em religião pelo ambiente grego. Sob pressão do poderio bizantino, até os Maniatas de Taygetos, os descendentes dos antigos Espartanos, finalmente se renderam no Cristianismo; e idolatria deixou daí em diante de existir em solo Helênico.

Os Moravos.

Entre outras tribos eslavônicas estavam os Moravios, que haviam se estabelecido em solo alemão e caíram sob o domínio alemão. Mas em 855, o rei deles, Rostislav, libertou-os do jugo Alemão e então apelou ao Imperador Bizantino Miguel III, que lhe enviasse pregadores Cristãos; foi então, que Miguel III, com a cooperação do Grande Patriarca Photius, mandou para a Morávia os dois famosos pregadores Cirilo e Metódio, gregos de Salônica que tinham praticado a vida monástica no Mosteiro de Polichronius em Constantinopla. Esses dois homens não só pregaram a Palavra de Deus entre os moravios, mas também traduziram as Escrituras e a Liturgia Bizantina para a língua eslava para o benefício da recém-fundada Igreja de Moravia, que colocaram sob a jurisdição eclesiástica do Patriarca de Constantinopla, de quem eram enviados. Infelizmente, em 867, Rotislav mudou de ideia, por razões políticas, e virou-se para a Igreja de Roma, que naqueles dias começara a aspirar a ser o principal centro eclesiástico do Cristianismo. Os dois companheiros missionários foram então convocados para diante do Papa, e Cirilo permaneceu em Roma até sua morte, enquanto Metódio foi enviado para continuar seu trabalho como Arcebispo da Morávia. Enquanto Metódio viveu, lutou pela preservação da Escritura Eslavônica e da Liturgia Bizantina no uso da igreja. Após sua morte, no entanto, a Sé Romana aboliu ambas e substituiu-as pelas Latinas, desdenhosamente rejeitando a língua Eslavônica como "bárbara e profana."

Os Búlgaros.

Durante o século nono, também os búlgaros receberam o Cristianismo da mesma fonte bizantina. Os búlgaros, uma tribo tártara, que havia tempos vivido nas praias do Mar Cáspio, migrou dali no século quinto, e subindo o Rio Danúbio, estabeleceu-se permanentemente na parte norte da Península dos Balkans. Eles eram, no começo, um povo bárbaro de costumes selvagens, e até mesmo praticavam sacrifícios humanos; mas de 800 em diante eles começaram a progredir no caminho da iluminação, e sob a influência dos nativos eslavos, adotaram a língua eslavônica e a consciência da raça. Sua proximidade com o Império Bizantino não era de todo agradável aos bizantinos, a quem eles constantemente saqueavam; mas havia, no entanto, uma indubitável influência benéfica sobre os búlgaros por acostumá-los com a atmosfera do Cristianismo. O primeiro arauto do Cristianismo, para a Bulgária, foi a irmã do Rei deles, Boris, que havia sido iniciada nas crenças Cristãs enquanto esteve prisioneira em Constantinopla. Depois de 861, no entanto, o próprio Boris tornou-se o mais árduo e sistemático trabalhador pela Cristianização de seu povo, tendo sido persuadido a isso, de um lado, por uma temível peste da qual foi salvo pelas orações a Jesus Cristo, e de outro lado pela terrível impressão feita na sua mente por uma pintura do Juízo Final, que foi mostrada a ele pelo missionário Metódio.

A Conversão dos Búlgaros.

Boris anunciou para o Imperador Bizantino, Miguel III, sua intenção de ser batizado e também informou a ele que queria adotar o nome de Miguel no Batismo. Ele também implorou ao Imperador e ao Patriarca Fotius que lhe enviassem padres Gregos; e tendo abraçado o Cristianismo com a ajuda da Corte Bizantina em 863, lutou com unhas e dentes com toda a oposição para tornar seus súditos Cristãos, também. Três anos depois, o medo de perder sua independência política fez com que ele se afastasse dos seus vizinhos bizantinos e colocasse sua recém-fundada Igreja sob a jurisdição da distante Roma. Mas quando os emissários papais o encontraram e caíram sobre a recém-plantada, vinha como javalis (de acordo com a descrição do Santo Fotius), Boris caiu em si se onde vinha o real perigo contra a liberdade, e em 869 retornou para a Igreja Mãe. Seu trabalho foi continuado por seus sucessores, dos quais o mais famoso foi o Tsar dos Búlgaros, Simeon, que floresceu no século décimo. Durante seu reinado, os búlgaros cultivaram o aprendizado, e a Igreja Búlgara gozou de total independência com Ochrida como seu centro eclesiástico. Mas em 1018, o Imperador Bizantino Basílio o Bulgaroctonus seguiu suas vitórias militares sobre os búlgaros com a sujeição da Igreja Búlgara ao Patriarcado de Constantinopla.

Os Russos.

Uma conquista muito maior para a Igreja Ortodoxa do Oriente foi a introdução e disseminação do Evangelho nos vastos territórios da Rússia, que teve lugar um século depois da conversão dos búlgaros. Esse importante evento foi precedido por várias tentativas feitas em diferentes tempos, a primeira nas quais deve ser reconhecida a tradicional visita de André o Apóstolo à Scythia e sua pregação do Evangelho aos Scythios, que foram os ancestrais dos russos. Mas essas sementes originais foram logo abafadas e por séculos os russos agarraram-se a sua adoração por Peroun, o deus do trovão. Por volta de meados do século nono, ouvimos falar de uma furiosa tempestade no Chifre de Ouro, e, retornando aterrorizados a Kiev, imploraram ao Imperador e ao Patriarca Fotius para que mandassem padres para batizá-los. Ainda outra tentativa foi feita mais tarde pela Rainha Mãe Olga, que, quando permaneceu em Constantinopla em 955, foi batizada pelo Patriarca Polieucto e decidiu retornar a seu país e evangelizá-lo ela própria. Mas ela também foi ricularizada, e foi deixado para o neto de Olga, Vladimir, receber divina inspiração e experimentar ele mesmo finalmente o título de "Isapóstolo" (igual aos Apóstolos) da Rússia.

A Conversão dos Russos.

Existe uma história ingênua que Vladimir, cansado do seu deus de madeira Peroun e querendo introduzir entre seu povo uma forma mais edificante de religião, convidou os representantes das principais religiões de seu tempo a aparecerem diante dele, para que pudesse escolher entre elas a mais desejável. Ele não se sentiu atraído pelos representantes do mohamedanismo, que proibia que se bebesse vodka; nem ficou ele mais satisfeito com as tentativas de persuasão do representante do judaísmo, cujos seguidores eram amaldiçoados e desterrados errantes, perseguidos por todos. Dispensou, também, o representante de Roma, com quem, ele dizia, seus ancestrais tinham sempre se recusado a cultivar relações. Mas quando o filósofo grego Constantino explicou para ele a fé Cristã Ortodoxa, reforçando seus eloquentes argumentos, mostrando a Vladimir uma pintura representando a segunda vinda de Nosso Senhor, como Metódio havia certa vez mostrado ao Rei dos Búlgaros, Vladimir não pôde mais conter-se, e, profundamente tocado, exclamou: "Benditos são os justos, e, de fato, miseráveis são os pecadores!" Para reforçar sua decisão, enviou uma embaixada oficial de Boyars (título antigo dos nobres da Rússia) a Costantinopla para estudar o assunto "in loco" e com seus próprios olhos. Eles foram, e assistiram uma Liturgia patriarcal celebrada na ingreja de Santa Sofia; e tão maravilhados ficaram com tudo que viram e ouviram que, no seu retorno para a Rússia, contaram para o seu rei, que quando eles estavam seguindo o Ofício Bizantino não sabiam se estavam na terra ou voavam a caminho do céu.

O Batismo de Vladimir e Seu Povo.

Vladimir então endereçou ao Imperador Bizantino, Basílio, uma mensagem onde implorava ao Imperador que concedesse a ele Vladimir sua irmã Ana em casamento, para ajudá-lo a carregar seu plano divino, e para enviar-lhe um bom número de padres para instruir e batizar o povo russo. Basílio, de boa vontade, concordou com as propostas, e por um futuro reino de Deus na terra Ana sacrificou os palácios de Bizâncio pelo trono de um povo semibárbaro. Os russos amarraram seu deus de madeira Peroun ao rabo de um cavalo, e após arrastá-lo insultando-o, pelas ruas, atiraram-no num rio para mostrar que não tinham mais uso para o deus. As barrancas do rio Dnieper enxamearam-se com milhares de pessoas, Boyars (nobres) e moujiks (camponeses), que foram batizados com seu rei enquanto os padres de Constantinopla, permanecendo no meio do rio em cima de balsas, recitavam as orações de batismo. E no ano da graça de 988 a Rússia oficialmente, ainda que não completamente, abjurou a idolatria e entrou na comunidade de povo Cristãos. Vladimir morreu em 1015, deixando a continuação de seu trabalho para seus sucessores. O mais proeminente deles foi Yaroslav (1010-1054), que, encorajando o aprendizado, construindo igrejas e criando um código de leis, conseguiu elevar seu país para uma condição mais condizente com a de uma nação Cristã.

Vicissitudes da Igreja Russa.

Não se deve, no entanto, supor que os vastos territórios da Rússia foram subitamente transformados como se por mágica, nem que o Cristianismo foi capaz de estabelecer sua supremacia sem luta. Nas regiões no nordeste da Rússia, idolatria, suportada por advinhações de artes negras, apresentou uma impenetrável fronteira para novas ideias. A supremacia mongol, que de 1224 a 1480 dominou tanto a Igreja quanto o Estado, foi um severo conjunto de tropeços para o progresso do Evangelho. Durante séculos, além disso, os Papas nunca cessaram de cobiçar a terra, e perseguiram seu objetivo de romanização enviando de tempo em tempo frades dominicanos e franciscanos e outras cruzadas completas, como fez o Papa Inocente IV, que no meio do século XIII incitou o rei da Suécia a atacar a Rússia. Mas apesar de tudo, a fé ortodoxa tanto sobreviveu quanto prosperou. Isso foi devido de um lado à perseverança na fé ortodoxa dos Reis e Imperadores Russos, que seguiram os passos do santificado Vladimir, e de outro lado ao zelo dos prelados da Igreja Russa, a maioria dos quais foram por séculos enviados diretamente de Constantinopla.

9. Iconoclasmo e Outras Disputas.

Léo o Isauriano e Seu Programa de Reformas.

A primeira em data e importância das diferenças religiosas que perturbaram nossa Igreja na Idade Média foi a disputa iconoclastica, que se espalhou por quase um século e meio. Léo o Isauriano (717-741), apesar de ser um bravo Imperador e homem patriótico, foi, infelizmente, ignorante na psicologia popular e apto a ser levado a extremos. Naquele tempo, o entusiasmo pela vida monástica estava drenando a comunidade de seus mais dignos cidadãos, e o povo dedicava grande parte de seu tempo a celebrar festividades de santos. Além disso, a multiplicação de imagens e outros objetos sagrados estava distorcendo o caráter espiritual do Cristianismo e trazendo sobre ele críticas tanto dos Mohamedanos quanto dos Judeus. Vendo tudo isso, Léo decidiu realizar reformas religiosas radicais começando com as imagens que pareciam ser a necessidade mais urgente. Agindo assim, ele não estava inteiramente sem justificativa, mesmo de um ponto de vista Cristão; pois a ignorância trouxe para o uso dos ícones abusos que degradaram a natureza espiritual da religião Cristã e cheirava mais uma vez a idolatria. Ele esqueceu, no entanto, que as imagens são os livros dos iliteratos, que a arte de pintar sempre serviu para inspirar e perpetuar virtude; que o homem sempre necessitará de símbolos materiais, e que abuso deles não exclui seu uso prudente.

A Guerra Contra as Imagens.

Quando, portanto, Léo emitiu suas duas proclamações contra imagens em 726 e 730, a primeira ordenando que todas as imagens deveriam ser postas mais altas, e a segunda comandando sua total remoção, encontrou irritados com ele não só o povo, mas também homens de provada distinção em conhecimento e piedade; tais como Germanus, Patriarca de Constantinopla, que preferiu se aposentar a proceder a tais extremos, João Damasceno, que publicou três ardentes apologias pelo direito do uso de imagens, e o Papa de Roma, que protestou ao Imperador por carta. Mas infelizmente o Isauriano não acedeu nem ao conselho dos mais sábios que ele, nem à insurreição de seu povo, mas teimosamente levou avante seu plano de campanha contra as imagens. Mais infelizmente ainda, aqueles que executavam os comandos reais eram homens mal-educados que cometeram atos de puro vandalismo. Assim aconteceu que preciosas obras de arte, que teriam sido o orgulho de qualquer galeria de arte, foram cruelmente jogadas nas chamas; valiosos manuscritos foram destruídos por conta das miniaturas que os adornavam; a Escola Ecumênica de Constantinopla foi queimada com sua esplêndida biblioteca de livros raros; e sangue Cristão foi derramado quando a imagem de Cristo estava sendo cortada fora do Portão de Bronze do Palácio Imperial. Por conta de um abuso, que deveria ter sido corrigido pela melhor educação do povo, todos esses abusos foram cometidos, e o estado foi dividido em dois campos ferozmente opostos: aqueles dos amantes de imagens e aqueles dos destruidores de imagens.

O Sétimo Concílio Ecumênico.

Quando Constantino Copronymus (741-775) sucedeu seu pai, Léo, ele não só continuou com a mesma política de guerra contra as imagens, brutalmente cegando ou cortando os narizes de qualquer monge que desobedecesse seus decretos; mas também ultrapassou seu pai em presunção, convocando sob sua própria autoridade um assim chamado Concílio Ecumênico em 754, para condenar todos aqueles que tivessem opinião contrária. Mas esse concílio no qual estavam faltando os cinco Patriarcas do Cristianismo, só poderia clamar pouco por ecumenicidade; e apesar dos reis da dinastia Isauriana, com o apoio do exército e da corte, não pouparem esforço para conseguir seus propósitos, apesar de muitos cléricos estarem prontos a inclinar-se aos desejos de seus governantes, e o filho de Constantino, Léo IV, o Khazar (775-780) zelozamente carregou o trabalho iconoclástico de seu pai e de seu avô, no final a saudável consciência da Igreja prevaleceu. Em 787, sob a regência da Imperatriz Irene, viúva de Léo IV, com Tarasius como Patriarca e com representantes convenientes dos outros patriarcados, o Sétimo Concílio Ecumênico se reuniu em Nicéia. Evitando qualquer extremo, esse concílio escolheu o caminho dourado e estabeleceu que a figura da Cruz e santas imagens fossem coloridas ou não, se fossem feitas em pedra ou de qualquer outro material, poderiam ser representadas em vasos, roupas, paredes ou madeiras, em casa ou em vias públicas; especialmente figuras de Cristo, da Virgem, anjos ou homens santos. Tais representações, como foi definido, estimularam os espectadores a pensar nos originais, e, ainda que não pudessem nem devessem ser adorados porque adoração é devida somente a Deus (λατρεια), mereceriam respeito e veneração (προσκυνησις).

Domingo da Ortodoxia.

Mesmo depois da decisão do Sétimo Concílio Ecumênico, os Imperadores Bizantinos, Léo o Armênio (813-820), Miguel o Stammerer (820-829), e Theophilus (829-842), continuaram incessante guerra contra as imagens. Depois da morte do último, então, sua viúva Theodora, com seu cunhado Manuel, seu irmão Bardas e o Chanceler Theoctistus, constatando que somente o reconhecimento das decisões do Sétimo Concílio Ecumênico poderia trazer paz para o conturbado reino, convocaram um grande Concílio para Constantinopla no primeiro Domingo da Grande Quaresma de 842. Foi presidido pelo Patriarca Ecumênico Methodius, e declarou que o Decreto do Sétimo Concílio Ecumênico era determinante para todos, e sobre essa base os partidos opostos se reconciliariam. Com grande pompa, as imagens foram então carregadas de volta às igrejas, e os lugares de veneração pública finalmente recuperaram seus antigos adornos. Esse dia foi conhecido como "Domingo da Ortodoxia" e daí por diante apontado como festa anual. Protestos contra as imagens ainda continuaram, mas gradualmente se tornaram fracos e esporádicos, até que afinal desapareceram inteiramente.

Os Heréticos Paulicianos.

Durante a Idade Média, a Igreja Oriental foi perturbada não só pelos destruidores de imagens, mas também por vários outros heréticos, entre os quais os mais importantes foram os Paulicianos e os Bogomils. Os Paulicianos apareceram na Armênia durante o século sétimo e sobreviveram como um sistema religioso até o século doze. Seu líder foi um certo Constantino que tomou sobre si o continuar o trabalho do Apóstolo Paulo, assim dando à heresia esse nome, e tentou reproduzir a atividade do Apóstolo com os Gentios dando a si próprio o nome de companheiro de trabalho de Paulo, Silvanus, e chamando os centros de sua heresia Macedônia, Achaia, Corinto, Colossae e assim por diante. Ele mantinha que somente ele e seus seguidores representavam a verdadeira igreja fundada por Jesus Cristo, enquanto todos os outros eram "Romanos" e não Cristãos. A base da heresia Pauliciana era o dualismo, ou a crença em dois deuses: o Deus Bom e o Príncipe desse Mundo, ou "Cosmocrator." Além disso, os Paulicianos ensinavam que o sacerdócio era universal, aceitando só o Novo Testamento como Escritura Sagrada e rejeitavam os ícones, a intercessão dos Santos, a vida monástica, e toda e qualquer forma de pompa e mistério na religião. Em 752 Constantino Copronymus transplantou os Paulicianos para a Trácia. Depois do seu tempo, foram impiedosamente perseguidos por Miguel Rangabe (811-813) e Léo o Armênio (813-820), que armou uma inquisição contra eles e assim forçou-os a retornar à Armênia, de onde eles fizeram constantes e destruídos ataques a territórios bizantinos. João Zimiskas estabeleceu-os em torno de Philippopolis em 970 para defender as fronteiras do Império, mas de 1118 para diante Alexis Comnenus decidiu exterminá-los por persuasão e força.

Os Heréticos Bogomilos.

Os Bogomilos, ou Amados de Deus, apareceram na Bulgária no século XII, e foram mais ativos nessa região. O cabeça dessa seita era Basílio, a quem em 1119 Alexis Comnenus prendeu e tentou fazer com que ele revelasse os segredos de sua heresia. Achando, entretanto, que violência não seria útil, o Imperador mudou suas táticas e tratou Basílio como um amigo e companheiro de mesa até que o silêncio de Basílio foi quebrado e revelou todos os seus mistérios. Então, as cortinas subitamente se abriram e o Patriarca apareceu com o Senado para setenciar Basílio à morte na estaca. A conduta de Alexis esteve longe de ser honrada; mas alguma desculpa deve ser dada a ele pelo fato de que a população estava enraivecida com os Bogomilos e que condenando seu líder às chamas, Alexis ao menos resgatou seus seguidores das mãos da turba. Mas fogo não consegue queimar heresia, e mais de um século depois ainda eram encontrados Bogomilos, no mais das vezes na verdade, escondidos sob um gôrro de monge. Os Bogomilos limitavam a Sagrada Escritura aos livros do Novo Testamento, aos Profetas e os Salmos, e o único sacramento que reconheciam era o Batismo pelo Espírito, e não pela água. Eles, também, acreditavam que dois princípios governavam o mundo: Cristo de um lado e do outro Satanás.


fonte: https://www.fatheralexander.org/page23.htm