Esta é a sexta parte da série de publicações “História da Igreja Ortodoxa”.

A primeira você pode ler aqui.

A segunda você pode ler aqui.

A terceira você pode ler aqui.

A quarta você pode ler aqui.

A quinta você pode ler aqui.

Chegamos à última grande era da História da Igreja: a modernidade.

Parte III

(A.D. 1453 — 1930)

Tempos Modernos

15. A Noite de Opressão e o Raiar da Liberdade.

As Promessas do Conquistador para Scholarius.

No dia da queda de Constantinopla, seu conquistador Mohamed II (1430-1481) agiu para com os Cristãos como um tigre sedento de sangue; mais tarde, no entanto, ele mudou sua atitude e começou a bajulá-los com promessas. Alguns dizem que ele esperava com isso reter em seu Império os trabalhadores qualificados que o proveriam com as taxas necessárias; outros pensam que ele queria isolá-los completamente da influência europeia; e outros, ainda, têm a visão mais provável de que ele estava simplesmente cumprindo com certas injunções do Corão, que permitiam a medida de autogoverno para membros de comunidades monoteistas, contanto que eles pagassem uma taxa tributária. Tendo sabido que o trono patriarcal estava vago, ele ordenou então que um homem compatível fosse eleito para o posto; e quando soube que Gennadius Scholarius havia sido escolhido e apareceu diante dele, o Conquistador o recebeu favoravelmente, vestiu-o com uma preciosa capa, pôs um báculo pastoral em sua mão e presenteou-o com mil florins e um cavalo branco.

"Dirige teu rebanho em paz," ele disse, "e goze de nossa amizade," e mantenha todos os privilégios de teus predecessores." Daí em diante, de acordo com as ordens claras de Mohamed II, o Patriarca Ortodoxo deveria continuar suas obrigações com seu clero atendente, não molestado e isento de taxas; foram deixadas em sua posse as Igrejas Cristãs, foi permitido que se celebrassem livremente todas as cerimônias da louvação Cristã, e era esperado ao mesmo tempo que supervisionasse os assuntos domésticos de seu povo. Os mesmos privilégios foram concedidos pelo Conquistador ao Patriarca Ortodoxo de Jerusalém em 1455, quando ele reconheceu e confirmou os direitos da raça grega sobre os Sagrados Santuários.

A Violação pelo Conquistador de Suas Promessas.

Infelizmente, no entanto, o fanatismo com o qual os governantes islâmicos estavam imbuidos fez com que fosse impossível para eles respeitar as promessas feitas por eles por necessidade e prudente astúcia. O próprio Conquistador, que pouco antes havia reconhecido as igrejas Cristãs como locais de louvação para seus súditos Cristãos (com a exceção de Santa Sofia, da qual ele tinha se apropriado desde o começo), rapidamente mudou de ideia e transformou doze das mais bonitas igrejas em mesquitas islâmicas. Quando, além disso, após um rápido periodo de tempo, Gennadius se aposentou do Patriarcado, Mohamed, esquecendo de sua promessa de insenção de tributo, extraiu a cada eleição de novo patriarca uma soma de dinheiro conhecida como "peskesi," que aumentava a cada nova eleição; de tal modo que na primeira a soma foi de mil peças de ouro, e subiu para duas mil e quinhentas em 1475 na eleição do Patriarca Rafael, que, não sendo capaz de juntar essa grande soma, foi deposto e mandado em grilhões para as ruas para pedir caridade aos passantes. Pois mesmo contra a pessoa do Patriarca a violência de Mohamed não conheceu limites; testemunha, entre outros exemplos, seu comportamento com o Patriarca Joasaph (1464-1466), a quem ele insultou cortando sua barba porque ele havia se recusado a confirmar um casamento ilegal, enquanto ao mesmo tempo ele cortou o nariz do primeiro capelão do Patriarca.

O Conquistador, além disso, organizava sistematicamente o abominável sistema de rapto de crianças que deve sua origem ao Sultão Orchan no ano de 1328. Cada quatro anos os oficiais turcos marchavam pelas províncias, e de cada dez famílias Cristãs em uma era escolhida uma criança com não mais de sete anos, que eles carregavam para Constantinopla, educavam no fanatismo islâmico em uma instituição especialmente criada para esse propósito, e então a colocavam no temível regimento militar dos Janizários. Assim, de carne e sangue Cristãos eram feitos os mais mortíferos inimigos do Cristianismo, que dirigiam suas espadas contra seus próprios pais e irmãos.

A Pia Questão Perguntada por Selim I.

Todos os sucessores do Conquistador igualaram-no em ferocidade, e alguns, na verdade, ultrapassaram-no. Selim I (1512-1530) submeteu ao mufti a questão se seria mais proveitoso para sua alma pôr o mundo inteiro em sujeição ou converter o seu Império todo ao Islã. Quando lhe foi dito que esse último evento seria mais aceitável por Alá, ele instigou uma feroz perseguição contra os Cristãos seus súditos, comandando que seu Grã-Vizir transformasse todas as igrejas que haviam sido deixadas para os Cristãos pelo Conquistador em mesquitas; e para matar todos os Cristãos que não mudassem de fé. Mas o Grã Vizir, que felizmente era de uma disposição mais suave que seu chefe, comunicou secretamente o decreto do sultão ao Patriarca Theoleptus, que se apresentou diante do sultão, trazendo como testemunhas três idosos Janizários, que haviam estado presentes na queda de Constantinopla, apelou pelos privilégios prometidos pelo Conquistador, e assim conseguiu evitar que o fanático rancor do tirano realizasse sua mais violenta ameaça.

Ele não foi, no entanto, capaz de salvar todas as Igrejas; pois tais belas e majestosas construções, disseram os conselheiros do Sultão, não deveriam ser usadas para adoração de ídolos. Entre as poucas igrejas que escaparam naquele tempo, estava a de "Pammakaristos," para onde o Patriarca foi transferido, após a destruição da Igreja dos Santos Apóstolos, que havia sucedido Santa Sofia. Mas em 1586 a igreja de Pammakaristos, também, foi tomada pelas ferozes hordas de Murad III e transformada em mesquita; e após remover de lugar para lugar, o Patriarca Ortodoxo finalmente estabeleceu-a no ano de 1600 na igreja de São George, no distrito de Phanari, onde tem permanecido até os dias de hoje.

Pesquesi, Haratsi, Rapto de Crianças e Conversão Forçada ao Islã.

Os sofrimentos da igreja sob o jugo turco não estiveram limitados meramente à perda de locais de celebração. O "pesquesi" cobrado a cada eleição patriarcal continuou a crescer, chegando a quantia de 4.600 peças deo ouro; e como trocas frequentes de Patriarca significavam para a voracidade turca, pagamentos mais frequentes de "pesquesi," trocas forçadas tornaram-se tão numerosas que durante um único período de oitenta anos (1620-1702), não menos de cinquenta patriarcas ascenderam os degraus do trono Patriarcal. Pois que valor, aos olhos do Sultão, poderia ser fixada a uma cabeça da nação grega de quem a própria vida estava constantemente em risco? Murad IV em 1638 fez afogar o Patriarca, Cirilo Lucas, no Bósforo. Mohamed IV, nos anos 1651 e 1657, respectivamente, fez com que os Patriarcas Parthenius II e Parthenius III fossem enforcados.

Qualquer coisa que acontecesse na capital tinha seu elo nas províncias. Um tributo em dinheiro foi exigido pelos governantes na indicação de cada Metropolita, tal como era em cada eleição Patriarcal, e a vida de um bispo não estava mais segura que a do Patriarca. Enquanto isso, o "haratsi," ou imposto de capital, que cada Cristão súdito tinha que pagar pelo previlégio de continuar a ter sua cabeça sobre seus ombros, também aumentava. O rapto de crianças, aquele faminto minotauro, crescia com mais frequência; não mais cada quatro anos, como no tempo do Conquistador, mas a cada ano as crianças eram então coletadas, e não abaixo de sete anos, mas abaixo de 15 anos. Existiam orgias e conversões forçadas ao Islã às expensas dos súditos Cristãos. De acordo com Meletius Pegas, só no Egito trinta mil Cristãos tiveram suas línguas cortadas, para que os pais não transmitissem a fé Cristã a seus filhos e de acordo com Montealbani, que viajou pela Albânia em 1625, não havia um só dos Cristãos remanescentes cujo filho ou irmão ou algum outro parente que não tivesse se tornado islamita. Em 1620, o número de Cristãos na Albânia era de 350.000. Em 1650, eles se reduziram a 50.000 — isto é, a um sétimo do seu número anterior.

As Primeiras Luzes na Melhoria da Raça Subjugada.

Dias mais toleráveis começaram a clarear para os súditos Cristãos na Turquia, a partir do momento em que Pedro o Grande (1682-1725), Imperador do livre e Ortodoxo país da Rússia, começou, ao perseguir uma política definida cujo objetivo final era a remoção da capital russa para Constantinopla, a tomar sob sua proteção aqueles Cristãos que estavam gemendo sob o jugo estrangeiro. Essa política, após Pedro o Grande, foi seguida por seus sucessores, entre outros por Catarina II, que incitou com muitas promessas aos gregos a se rebelarem contra os turcos em 1770, somente para depois abandoná-los à espada vingativa desses últimos. O direito de intervenção da Rússia em nome dos Cristãos na Turquia foi reconhecido em todos os eventos dos Poderes Europeus, que confirmaram esse direito em 1774 pelo Tratado de Kainartzik.

Além do interesse tido pela Rússia pelos Cristãos oprimidos, que foi um fator importante na melhoria de condições desses Cristãos, os Phanariotes também contribuíram para esse resultado. Esses homens eram gregos que viviam no distrito de Phanari, onde o Patriarca estava assentado, e que, destacados por sua inteligência, polidez, cultura europeia e conhecimento de línguas, eram frequentemente colocados pelo Sultão em altas posições, como as de secretário, intérprete, conselheiro particular, ou até mesmo governador de uma das províncias turcas de Walachia e Moldávia. Assim, com o melhor de suas habilidades, encontravam oportunidades de influenciar os Sultões e interceder com eles em nome dos seus menos afortunados companheiros gregos-Cristãos.

A Revolução Grega.

Em 25 de março de 1821, na Hagia Laura, o Arcebispo de Antiga Patras, Germanus levantou a bandeira da rebelião contra os turcos, carregando o dístico de "Liberdade ou Morte," e toda Grécia do continente, com o Peloponeso e as Ilhas Aegeans, levantou-se para uma guerra desigual. Esse evento, que tocou o coração de pessoas sensíveis no Ocidente, correspondentemente enraiveceu o Sultão, que jurou vingança contra os revolucionários. A primeira vítima de sua ira foi o culto e ascético Patriarca de Constantinopla Gregório V, que em 22 de abril, dia de Páscoa daquele mesmo ano, foi enforcado nos portões do Patriarcado, e seu corpo morto, depois de ter sido arrastado pelas ruas de Constantinopla pela multidão, foi finalmente lançado ao mar. Depois dele, os Metropolitas de Éfeso, Calcedônia, Derki, Salônica e Adrianópolis foram todos mortos de modo similar em várias localidades da cidade de Sete Colinas. O Grande Logotheto, Estevão Mavrogenes, foi decapitado, e o Grande Intérprete da Frota, Nicolas Mourouzes, foi degolado com seu irmão. Não só em Constantinopla, mas em Adrianópolis, Larissa, Chipre, Creta e também em outros lugares. O sangue de muitos veneráveis bispos foi derramado, às vezes até mesmo sobre o Santo Altar. Mas após sete anos de guerra, o pequeno país, a Grécia, conquistou sua independência.

Hatti Serif e Hatti Houmayoun.

O estabelecimento de um reino da Grécia independente pelo protocolo de Londres em 1830, e a simultânea proclamação da semi-independência da Servia e Montenegro, foram seguidas em 1839 pela publicação pelos turcos de um documento conhecido como "Hatti Serif," que deu garantia de segurança pela vida, honra e propriedades de todo súdito turco, independente de sua religião. Depois da terrível guerra da Criméia de 1854, a Turquia emitiu em 1856 outra declaração, o "Hatti Houmayoun," que proclamou completa igualdade religiosa e civil, aboliu a taxação dos Patriarcas e bispos, removeu todas as restrições sobre a construção de igrejas e escolas Cristãs, recomendou a montagem de comitês consistindo de membros do clero e leigos para examinar questões não estritamente eclesiasticas em escôpo, e providenciar o estabelecimento de tribunais mistos nos quais membros de outras religiões sentariam junto com islâmicos.

Mas tudo isso era uma mera representação encenada pelos turcos para enganar os Poderes Ocidentais, cujas frequentes intervenções os turcos ressentiam amargamente, pois eles nutriam um implacável ódio contra todos os Cristãos, e isso foi provado pelos periódicos e metódicos atentados para exterminar todos os seguidores do Evangelho, o que eles nunca deixaram de organizar. Em 1860, o massacre dos Druses no Líbano e em Damasco resultou em milhares de vítimas. Em 1876, 1885 e 1896, centenas de milhares de armênios foram massacrados em Constantinopla e em outras partes do Império Otomano; e no litoral e no interior da Ásia Menor, em 1922, a carnificina de armênios e nativos gregos, que haviam se estabelecido ali desde os tempos de Homero, somou milhões.

Entretanto, os povos ortodoxos da Grécia, Servia, Romênia, Bulgária, Albânia e das Ilhas do Mediterrâneo, que por séculos foram atormentados sob o jugo turco, estão agora gozando do grande dom da liberdade; e por isso, finalmente, nossas graças são devidas a Deus.

16. Os Quatro Mais Antigos Patriarcados e Chipre.

O Patriarcado de Constantinopla.

O Patriarcado de Constantinopla, que tinha devido anteriormente sua superioridade sobre os outros Patriarcas meramente pela significância histórica da cidade, assumiu uma importância muito maior após a queda de Constantinopla, por conta dos privilégios eclesiásticos e civis concedidos a ele pelos turcos. Em teoria e em princípio, o Patriarca de Constantinopla tem o direito de resumir em sua pessoa e representar perante o Sultão a raça Ortodoxa toda, cujo líder nacional ele foi levado a ser; para zelar pela sua vida espiritual; para zelar por suas igrejas e mosteiros; acertar disputas familiares dentro de seu rebanho; confirmar testamentos e conceder divórcios. Além disso, como os outros três tronos patriarcais do Oriente estavam situados longe do Sultão que ficava na capital e os três estavam em estado muito sofrível, o Patriarca de Constantinopla com frequência tomou a defesa dos seus interesses também diante da Sublime Porta, não por um desejo despótico de atropelar as liberdades deles, mas por um espírito fraterno de preocupação por seus irmãos mais fracos. A função do Patriarca Ecumênico, meio civil, meio eclesiástico, era indicada até pela sua vestimenta, que era similar àquela dos Imperadores Bizantinos, e pela Águia de duas cabeças pintada em seu "encolplion" e no seu sêlo.

O sistema de governo.

Durante os três primeiros séculos depois da queda de Constantinopla, o Patriarca teve a cooperação de dois corpos administrativos; quais sejam: o "Santo Sínodo," que era composto de Bispos e deliberava sobre os mais importantes assuntos, e o "Conselho Eclesiástico" que consistia em funcionários e tratava de assuntos mais simples. Mas em 1763, durante o patriarcado de Samuel I, esse sistema de governo da igreja foi substituído pelo sistema senatorial, conhecido como "Gerontismos."

Doze bispos, por assim dizer, escolhidos entre os mais próximos de Constantinopla, estavam continuamente atendendo o Patriarca, permanentemente assistindo-o no trabalho de governo e representando todos os seus companheiros-bispos. De um ponto de vista, esse sistema era bom, porque, através da longa experiência e do contato frequente com os governantes, ele treinava um grupo de homens para ficarem conhecendo os perigos que os cercavam e compreendendo os métodos pelos quais esses perigos poderiam ser evitados. Ele tinha, no entanto, a grande desvantagem de que com o correr do tempo o desempenho desses "anciãos" tornava-se arbitrário, visto que toda autoridade estava em suas mãos. Cem anos depois de sua instituição, portanto, o sistema de gerontismos foi abolido, e um novo sistema administrativo, melhor adaptado aos requerimentos modernos, foi introduzido pelos "Regulamentos Gerais" gerados em 1862.

Por esses regulamentos, os assuntos do Patriarca eram divididos em os puramente "espirituais," ou seja, aqueles que envolviam fé e moral, e os "materiais," que envolviam a supervisão de escolas, o controle das contas, a propriedade dos mosteiros, a execução de testamentos e outras matérias similares. O cuidado com os assuntos espirituais foi confiado ao "Santo Sínodo," que era composto de doze bispos do trono ecumênico, eleitos em rodizio para que seus membros fossem constantemente renovados, todos os bispos em turno tomando parte na administração; enquanto para tratar os assuntos materiais, um "Concílio Misto" foi criado, onde quatro bispos do "Santo Sínodo" sentavam juntos com oito eminentes leigos, devidamente escolhidos pelo povo.

A Área de Jurisdição.

Foi particularmente durante o século dezoito que a área sujeita à jurisdição do Patriarcado Ecumênico atingiu maiores extensões. Nessa época estavam dependentes dele cerca de cem Metropolitas, Arcebispos e Bispos, que tinham assento na Trácia, Macedônia, Epirus, Albânia, Grécia, as Ilhas Iônicas, Montenegro, Sérvia, Bulgária, Moldavia e Walachia, Hungria e a região chamada de "Pequena Rússia", a qual marcava o limite da autoridade do Patriarca; pois apesar da Metrópole de Moscou ter sido promovida ao nível de um independente e auto-suficiente centro eclesiástico russo no século dezesseis, Kiev o centro do Arcebispado da Pequena Rússia, ainda continuou a reconhecer o Patriarca de Constantinopla como seu líder espiritual. As circunstâncias desesperadoras contribuíram para a extensão da esfera de autoridade do Patriarca.

Búlgaros, Sérvios, Vlachos, Albaneses e outros povos estavam sendo esmagados pelos todo-poderosos turcos, e necessitavam de proteção para que eles salvassem pelo menos a sua fé; e que outro refúgio eles tinham que não o Patriarcado Ecumênico? Assim, em 1766 e 1767, sob o já mencionado Patriarca Samuel, o Arcebispo de Ipek e Ochrida, que eram naquele tempo os centros eclesiásticos das igrejas na Sérvia e na Bulgária respectivamente, foram espontaneamente ao Patriarca Ecumênico, solicitando que ele os tomasse sob sua autoridade. Esta era a vasta extensão do Patriarcado de Constantinopla durante o século dezoito.

Mas a independência política, que do começo do século dezenove em diante começou a ser gozada pela Grécia, Sérvia, Romênia, Bulgária e por último a Albânia, tambem resultou na emancipação desses países da autoridade eclesiástica do Patriarcado. Consequentemente, e particularmente depois da total erradicação do Cristianismo pelos Kemalistas da terra das "Sete Estrelas do Apocalipse," — as fronteiras desse Patriarcado, primeiro em nível e autoridade, foram significativamente reduzidas.

A Luta do Patriarcado pela Manutenção dos Seus Privilégios.

Durante anos recentes, todos os esforços do Patriarca de Constantinopla têm sido dirigidos para a manutenção daqueles privilégios que eram a única garantia de que sua existência continuava sob dirigentes de outra fé, os quais, apesar de reconhecerem esses privilégios desde o início de acordo com os ensinamentos do Corão, nunca cessaram de cometer traiçoeiros ataques contra eles. Sob o Sultão havia, esse grande inimigo e açougueiro dos Cristãos, esses atentados contra as liberdades do Patriarcado alcançaram sua mais formidável dimensão, e foi no seu reinado, no ano de 1883, que a famosa "questão dos privilégios" começou. Patriarcas cheios de dons como Joaquim III, Joaquim IV e Dionísio V exauriram suas preciosas energias em defesa desses privilégios.

Ás vezes, de fato, a valente resistência deles, conseguiu fazer frente à onda de violência turca, como quando, por exemplo, em 1891, Dionísio V proclamou estado de perseguição contra a Igreja, e fechou todas as igrejas até que a Porta rendeu-se; mas os turcos nunca abandonaram a política de erradicar o Cristianismo do seu Império, nem sob o despótico governo de Hamid, nem sob os pseudo-constitucionais governadores novos turcos que o sucederam, até que finalmente Kemal, encontrando a Europa Cristã em estado de exaustão como resultado da recente guerra mundial, tomou a vantagem da oportunidade para continuar a velha política com uma ferocidade sem paralelo.

O Patriarca de Alexandria.

Segundo em hierarquia depois do Patriarcado de Constantinopla vemos Alexandria, que foi muito ilustre durante os poucos primeiros séculos do Cristianismo, mas declinou tão miseravelmente depois das disputas monofisitas e do surgimento do Islamismo que no começo do século dezessete seu total de igrejas não passava de três. Quase que a única ocupação de seu Patriarca, que tinha seu assento no Cairo sempre que não era forçado a procurar abrigo sob a asa protetora do Patriarca de Constantinopla, era implorar ajuda financeira necessária para contrapor o Patriarcado contra os perigos gêmeos do Islamismo e da heresia. Assim, quando Cyril Lucar era o Patriarca de Alexandria, enviou o seu Logothete Máximo em 1608 para implorar por ajuda material dos Cristãos Ortodoxos de toda a parte.

O Patriarca Samuel Capasules dirigiu-se em 1712 à Rainha Anna da Inglaterra e em 1717 ao Imperador Pedro o Grande da Rússia. Similarmente em 1763 o Patriarca Mateus implorou a ajuda da Imperatriz Catarina II da Rússia e do seu filho Paulo; pois quando ele tornou-se Patriarca de Alexandria, "ele encontrou a igreja em grande desordem tanto interna quanto externamente; as igrejas delapidadas, os pobres angustiados e não visitados, o trono profundamente endividado, os Cristãos sem pastoreio e hesitantes em sua fé, as ovelhas pastando lado a lado com cabras e lobos, de maneira que esses últimos com frequência apanhavam as ovelhas, e os padres levando uma vida descuidada." Felizmente a partir dos dias de Mehmet Ali Pasha (1806-1848) em diante, as condições começaram a melhorar. Mercadores gregos começaram a descer para o Egito, e vigorosas comunidades gregas foram fundadas em Alexandria, Cairo, Porto Said, Suez e outros lugares.

Dias mais radiosos brilharam para essa Igreja, especialmente depois que ela ficou sob o comando de Patriarcas energéticos como Sophrorius (1870-1899), Photius (1900-1925) e Meletius Metaxakis (1926-today), sob os quais os débitos do Patriarcado foram liquidados, igrejas foram construídas, escolas multiplicadas, organizações de caridade foram desenvolvidas, e vida nova foi infundida na Ortodoxia na África. Hoje a sede do Patriarcado é Alexandria, onde em torno do Patriarca reúne-se seu Sínodo, composto de sete Metropolitas. O Patriarcado abarca mais de oitenta igrejas, a maioria das quais está no Egito, enquanto outras estão espalhadas pela Núbia, Abissínia, Tunísia e Transvaal. Evidência concreta de sua abundante vitalidade por suas revistas científicas, seus brilhantes oradores, sua imprensa, seu seminário, seus orfanatos, escolas e outras instituições filantrópicas.

O Patriarcado de Antioquia

O Patriarcado de Antioquia também teve que enfrentar muitas tempestades. Depois de sua anterior florescente Ortodoxia ter sofrido penosamente pela heresia monofisita durante o século sexto, depois de ter sido subjugada pelos invasores islâmicos no século sétimo, estava ainda destinada a sofrer ainda maiores males nas mãos dos Papistas, a quem as cruzadas estabeleceram na Síria, e que desalojaram o clero Ortodoxo. Quando os Papistas foram expulsos pelos mamelucos em 1268, o clero Ortodoxo foi recolocado em suas posições; mas de 1700 para a frente, a propaganda Católica Romana reapareceu na Síria, mais vigorosa e melhor organizada do que antes, e por meio de suas escolas, universidades, ordens monásticas e protetores políticos influentes, continuou a levar avante seu trabalho de conversão.

O espalhamento da Unia no Trono de Antioquia também foi ajudado por certos prelados latinizadores, tais como Cirilo III, que usurpou o Patriarcado em 1724, e cujas atividades foram combatidas com zêlo apostólico por legítimo rival Silvestre (1724-1766) por meio de visitas, cartas encíclicas, sermões, trabalhos escritos e escolas. A luta de Silvestre em defesa da Ortodoxia foi continuada por seus sucessores, Daniel (+ 1791), Anthemius (+1813), Serafim (+ 1823) e Metodius (+ 18500). Depois dos Papistas, os Protestantes cairam sobre o desafortunado Patriarcado: e depois dos Protestantes, os russos pan-eslavistas que, disfarçando seus objetivos políticos sob a máscara da defesa da Ortodoxia, começaram a semear dissensão entre os Sírios Ortodoxos e seus pastores Gregos. Assim incitados, os sírios de língua árabe dispensaram seus Metropolitas de língua Grega; e desrespeitando as regras da lei canônica e os protestos dos três outros Patriarcados, elegeram como Patriarca de Antioquia Meletius (1899-1906), que completou a arabização da Igreja da qual João Crisóstomo e João Damasceno tinham sido as estrelas mais brilhantes.

Os Cristãos Ortodoxos da Síria não são, no entanto, no fundo inimigos dos gregos; e o encerramento da campanha pan-eslavista entre os árabes foi suficiente para ser retomado entre Cristãos gregos e árabes os mais fraternais sentimentos. Hoje em dia esse Patriarcado tem sua sede em Damasco, de onde foi removido em 1269, e abarca cerca de doze Metropolitas.

O Patriarcado de Jerusalém.

O Patriarcado de Jerusalém, cuja sede é e sempre foi em Jerusalém, tem a diferente característica de sempre ter constituído uma Irmandade Monástica, com o Patriarca como seu abade e com a vocação especial de vigiar e guardar os Sagrados Santuários da Terra Santa. O Patriarca é assistido em seu trabalho pelo Santo Sínodo, consistindo em doze bispos titulares e sete arquimandritas. A vida desse Patriarcado tem sido uma luta incessante pela manutenção de sua posição privilegiada contra rivais poderosos e numerosos. A Irmandade de Jerusalém pode rastrear seus direitos sobre os Sagrados Santuários até o tempo de Constantino o Grande, quando os Santuários foram estabelecidos pela primeira vez; e ela pode também pleitear como prova adicional desses direitos o reconhecimento deles pelo Califa Omar no século sétimo.

Mas do tempo das cruzadas em diante, a Igreja Católica Romana também começou a pleitear direitos sobre os Santuários; e no tempo do Sultão Selim I (1512-1520) tanto ela quanto outras igrejas, por meio de grandes pagamentos aos turcos e do apoio de protetores poderosos, conseguiram clandestinamente adquirir certos privilégios, apesar de nossa Igreja ainda permanecer na posse do maior número de Santuários.Como se inimigos externos não fossem suficientes, apareceu em 1855 a Sociedade Russo-Palestina, com o ostensivo propósito de fundar igrejas, escolas, hospedarias e palácios episcopais e assim elevar a posição e reputação da Ortodoxia, mas com a intenção secreta de conseguir a russificação da Palestina.

Mas a Irmandade do Santo Sepulcro continuou, no entanto, a desempenhar suas funções e a manter sua cobiçada posição. A manutenção e adorno dos Sagrados Santuários por séculos; a distribuição regular de donativos aos nativos indigentes; a manutenção de escolas, hospitais, hospedarias e impressão de publicações; a reconstrução em 1810 da Igreja da Ressureição que tinha sido destruída por fogo; a manutenção da excelente "Escola Teóloga da Cruz" durante seus longos anos de valioso serviço; — tudo isso, e muitas outras despesas inevitáveis carregou a Irmandade do Santo Sepulcro com débitos opressivos, apesar do povo grego nunca falhar em mandar sua contribuição em dinheiro para a Irmandade. Ultimamente, no entanto, uma certa ordem foi restabelecida nos assuntos financeiros da Igreja de Jerusalém, indicando também uma maior atenção aos assuntos espirituais.

A Igreja de Chipre.

A Igreja de Chipre, como os quatro mais antigos Patriarcados, pode também proclamar sua grande antiguidade. Fundada no ano 45 pelos Apóstolos Paulo e Barnabas, e numerando entre seus membros santos como Espiridião e Epiphânio, ela garantiu o privilégio de autonomia no Terceiro Concílio Ecumênico, que proibiu o Arcebispo de Antioquia de interferir nos assuntos de Chipre. Infelizmente, em 1191, Ricardo Coração de Leão tomou posse da Ilha e vendeu-a para os Cavaleiros do Templo; e daí para frente os infelizes cipriotas, sob o jugo dos fanáticos Católico-Romanos Lusinhanos, passaram por todo tipo de sofrimento pela manutenção de sua liberdade nacional e religiosa.

Não só os invasores templários transformaram a maioria deles em servos, como além disso o Papa impôs a eles um Arcebispo Romano, a quem os bispos Ortodoxos eram obrigados a jurar o compromisso de lealdade. Em 1231, na presença do português Pelágio, o representante do Papa Honório III, os Treze Santos Padres foram martirizados tendo sido condenados como heréticos por não aceitar as inovações da Igreja Romana. Eles foram primeiro amarrados a rabos de cavalos e arrastados sobre pedras e a seguir queimados junto com os animais, de modo a tornar impossível a coleta de seus ossos. A ocupação veneziana da Ilha em 1489 foi simplesmente a substituição da velha tirania por uma nova; e a única faceta redentora da conquista turca que se seguiu em 1571 foi que ela jogou para fora da Ilha todos os intrusos romanos.

O coroamento da fericidade turca foi o estrangulamento em Nicosia do Arcebispo de Chipre, Cipriano, dos Metropolitas de Paphos, Kition e Kyrenia, e de outros cipriotas notáveis, pelo governador turco sedento de sangue Kuchuk Mechmet, durante o primeiro ano da Revolução Grega (1821). Em 1878, Chipre foi tomada pela Grã-Bretanha, de onde havia vindo o seu primeiro conquistador, Ricardo Coração de Leão.

Mas os duzentos e cinquenta mil Ortodoxos gregos dessa ilha martirizada, que constituem quatro quintos da população total, nunca porão seus pensamentos em coisas mais elevadas até que eles estejam livres da dominação estrangeira e retornem mais uma vez aos cuidados de sua terra-mãe natural.

17. Rússia, Grécia, Sérvia, Romênia, Bulgária e Síria.

Outras Igrejas Ortodoxas.

A Igreja Ortodoxa Oriental e Apostólica que engloba um total de duzentos e cinquenta milhões de almas no mundo de hoje não é representada somente pelos quatro mais antigos Patriarcados e pela Igreja Grega Ortodoxa de Chipre. Pela graça de Deus, ela é também representada por várias igrejas locais e independentes; nomeadamente, as Igrejas da Rússia, Grécia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Síria, Polônia e Georgia, junto com as Igrejas autônomas da Finlândia, Tchecoslovaquia, Estônia e América; e as Igrejas de Diáspora na Europa. Nem devemos nos esquecer dos Ortodoxos Gregos da Dodekanesia e da Albânia. É impossível no presente trabalho tratar da história de todas essas igrejas. Alguma coisa, no entanto, deve ser dita sobre as cinco primeiras que são as mais importantes dentre elas.

A Igreja da Rússia nos Tempos Modernos.

Seja quando tinha seu quartel-general em Kiev, no seu começo, com Vladimir, para onde ela foi em 1229, ou em Moscou, como aconteceu em 1328, a Igreja da Rússia nunca cessou de considerar como sua cabeça espiritual o Patriarca de Constantinopla, de quem ela recebeu o Cristianismo. É verdade que quando em 1588 o Patriarca de Constantinopla, Jeremias II, visitou a Rússia para implorar auxílio financeiro, ele proclamou essa filha crescida de sua Igreja, independente, e reconheceu o Metropolita de Moscou como o quinto Patriarca da Igreja do Oriente.

Mas seja porque ele considerou que essa situação concentraria uma perigosa quantidade de poder nas mãos do Patriarca Russo, ou seja, por outras razões mais políticas, Pedro o Grande silenciosamente a suprimiu em 1721; e com a cooperação do grande teólogo russo Procopovicius, montou um Sínodo Administrativo Permanente, comunicando essa mudança aos Patriarcas do Oriente, todos os quais aceitaram o fato. Pedro o Grande também trabalhou para a melhoria do clero fundando escolas clericais e reformando mosteiros.

Seu exemplo foi seguido por Catarina II e pelos Tsares que a sucederam, em cujo tempo a Igreja Russa gozou da posse de quatro Academias Teológicas muito importantes e de numerosos seminários e conseguiu não só cumprir suas obrigações para com seus membros, como também sustentar florescentes missões entre os israelitas, tártaros e japoneses. Infelizmente, desde a recente guerra mundial, todas essas promissoras esperanças foram cortadas pelos bolchevistas, que depois de derrubar o Trono Tsarista, agora incubem a si próprios com a ideia de que eles são capazes de derrubar o Trono de Deus. No tempo presente, o ateísmo é o culto oficial da Rússia Soviética.

Cristãos são perseguidos simplesmente por serem Cristãos. Igrejas construídas magnificamente têm sido transformadas em clubes, salas de música, cinemas e teatros. Icones de inimitável beleza, pintados por Publioff ou Stroganoff, que viveram nos séculos quinze e dezessete respectivamente, são vendidos para o exterior ou publicamente queimados nas praças. Aqueles que permaneceram devotos e que ainda estão ligados aos modos de vida de seus pais vivem em sua maior parte no exílio, enquanto muitos outros ou foram mortos ou estão desfalecendo nas prisões.

Nos anos de 1918, 1919 e 1920 somente, vinte e seis bispos e seis mil setecentos e cinquenta padres foram martirizados pelos bolchevistas, deixando de lado uma outra conta de milhares ou milhões de outras vítimas. O bolchevismo é baseado no princípio materialista e ligado à terra do comunismo; enquanto o Evangelho nos exorta a seguir coisas mais elevadas e mais espirituais. "Religião e Comunismo" — diz Bukharim — "conflitam um com o outro tanto em teoria como na prática... guerra até a morte contra qualquer forma de religião!" E o outro escritor acrescenta: "A simpatia e amor Cristão são contrários às nossas crenças.

Consequentemente, a única sociedade oficial na Rússia é a dos ateístas, sob cuja inspiração, acrescentamos, dez mil clubes antirreligiosos executam seu trabalho através das vastas extensões da Rússia, tolamente procurando transformar a natureza humana apagando a luz inextinguível de seus instintos religiosos. Não existe a menor dúvida de que a última solução dessa vasta tragédia será, como sempre foi no passado, o triunfo da Cruz. Mas o emaranhado conluio que precederá esse triunfo será amargo de verdade para os lutadores Ortodoxos Russos, que clamam por nossas orações.

A Igreja da Grécia nos Tempos Modernos.

A Igreja da Grécia, que igualmente sofreu enormemente sob a tirania turca, entrou em um novo estágio de sua vida desde o dia em que ela se livrou daquele pesado jugo. A bandeira da Revolução recebeu a bênção do clero grego, membros do clero se destacaram como líderes militares; e membros do clero, de novo, sentaram no primeiro concílio nacional da Nova Grécia. Desde os tempos de Léo o Isauriano (714-741), a Igreja dessas regiões era uma dependência do Patriarcado Ecumênico, com o qual estavam organicamente juntas. Mas os líderes da Revolução consideraram que sua independência política da Turquia não estaria completa a menos que fosse acompanhada por emancipação eclesiástica.

Daí, na Assembleia Geral de Nauplion em 1833 e na proclamação da constituição sob o Rei Otto em 1844, os representantes da nação declararam que, apesar da Igreja da Grécia ter permanecido e permanecerá sempre unida com a Grande Igreja de Constantinopla em questões de dogma, ela a partir de então gozaria de completa autonomia em questões de governo. Em grande parte eles estavam certos; pois os limites eclesiásticos sempre se conformaram aos limites políticos, e um país livre deve ter uma Igreja livre.

Mas por um longo período o Patriarcado Ecumênico não concedeu. Ele via a propriedade da Igreja sendo quebrada ostensivamente para suprir as necessidades da Igreja, mas na verdade para ser malbaratada pelos leigos. Ele temia que a separação administrativa da Igreja da Grécia pudesse ser tomada como um precedente por outros povos dos Balkans que não estavam ainda preparados para autogoverno; e ele estava particularmente apreensivo que os conselheiros protestantes do Rei Otto fossem introduzir no jovem estado da Grécia formas de governo contrárias aos princípios Ortodoxos.

No fim, no entanto, ele cedeu e emitiu em 1850 o Tomo Sinótico sobre a emancipação da Igreja da Grécia, declarando seu direito ao autogoverno. Nos anos que se seguiram a revolução, os limites da Igreja da Grécia, assim como os da própria nação, restringiram-se. Mas em 1863, as Ilhas Iônicas foram unidas à Pátria-mãe; em 1878, Tessalônica e parte do Epirus; em 1913, a Macedônia do Sul, Creta e algumas Ilhas do Mar Egeu; e em 1922, a Trácia Ocidental.

Como resultado desses vários aumentos no território nacional, os limites da Igreja da Grécia também foram aumentados, às custas da diminuição dos limites do Patriarcado Ecumênico, em cuja jurisdição essas áreas estiveram por séculos. Hoje em dia, a Igreja da Grécia inclui cerca de oitenta Metrópoles das quais trinta e três pertenciam à Grécia pré-guerra, enquanto quarenta e sete foram acrescentadas depois da guerra. Ela é governada por um Sínodo duplo: o "Sínodo Periódico," que se reune uma vez por ano em Atenas e inclui todos os bispos, e o "Sínodo Permanente," que consiste de oito bispos e que trata dos assuntos do dia-a-dia. Ambos os sínodos são presididos pelo Arcebispo de Atenas, que também tem o título de "Arcebispo de Toda a Grécia."

A Igreja da Grécia enfrenta muitos problemas. Seus bispos são todos homens de educação erudita e financeiramente independentes; mas seus padres com frequência estão necessitados de melhor educação e meios financeiros. Escolas teológicas e clericais na verdade existem; mas como o presbiterado é um chamado quase sem pagamento, seus estudantes usualmente dirigem-se para outras profissões.

O povo é ligado à fé Ortodoxa, a qual, no entanto, é continuamente minada por propaganda estrangeira; e apesar da Ortodoxia ser considerada a religião oficial do Estado da Grécia, os dirigentes do país assistem passivamente à má administração das propriedades eclesiásticas e mantêm a Igreja em sujeição. Contra todos esses males, a Igreja da Grécia está trabalhando duplo. A posição do clero está melhorando gradualmente; sermões são procurados muito mais; a imprensa está crescendo; instituições de caridade estão sendo fundadas; e a vida religiosa está progredindo tanto na teoria quanto na prática.

A Igreja da Sérvia nos Tempos Modernos.

O desenrolar da história da Igreja da Sérvia tem um ponto comum com o da Igreja Grega: ela sofreu e cresceu com a nação. Um período de grande glória existiu para ela em meados do século quatorze quando o grande príncipe sérvio, Estevão Dushan, tomando a vantagem dos problemas internos do Império Bizantino, estendeu suas conquistas do Danúbio ao Mar Egeu e Mar Adriático; e, aspirando estabelecer sua capital em Constantinopla, chamou a si próprio "Tsar e Imperador dos Sérvios e Gregos." Nesse período, a Igreja Sérvia gozava de completa independência, que lhe havia sido concedida em 1221, quando o Imperador Bizantino Theodoro Lascaris e o Patriarca Ecumênico Germano reconheceram o Arcebispo de Ipek como a cabeça eclesiástica dos sérvios. Mas dias de escravidão, logo vieram para os sérvios também; e o mesmo Mohamed II que havia destruído o Império Bizantino, logo depois, conquistou os territórios sérvios.

Três séculos mais tarde, quando os sérvios haviam feito tudo o que era possível para melhorar sua condição, eles finalmente viraram-se para o Patriarcado Ecumênico em 1766 e requisitaram ao então Patriarca Samuel para tomá-los sob seus cuidados protetores. Assim, as províncias sérvia de Ipek, Prizren, Skoplie, Belgrado, etc., fizeram parte no século dezoito da jurisdição do Patriarcado de Constantinopla, até que a Sérvia levantou-se de novo contra os turcos sob Karageorgevitch e Ovrenovitch em 1817 e gradualmente conseguiu sua independência. Um dos resultados dessa independência foi uma medida de emancipação da Igreja Sérvia do Patriarcado Ecumênico, concedida pelo Tomo Sinódico de 1831. Mas a emancipação da igreja ainda não estava completa; pois bispos sérvios ainda frequentemente recebiam sua sagração de Constantinopla, e o Metropolita de Belgrado, que foi indicado como chefe da Igreja Sérvia, apesar de eleito pelos dirigentes da Sérvia, era confirmado em seu posto pelo Patriarcado Ecumênico. Esse período de transição chegou ao fim pelo Tomo Sinódico de 1879, pelo qual o Patriarca de Constantinopla reconheceu a Igreja da Sérvia como totalmente independente e irmã autogovernante no completo sentido da expressão.

Desde a guerra dos Balkans e da Europa, a Sérvia de hoje tornou-se um país extenso, incorporando não só o Norte da Macedônia e uma parte considerável da Albânia, como tambem uma grande parte da Austria; e foi alem disso juntado a Montenegro, cujo dirigente, chamado de "Vladika," combinou em sua pessoa os cargos supremos da Igreja e do Estado, sendo ao mesmo tempo Rei e Bispo. Hoje em dia Yugoslavia, ou Slávia do Sul, nome pelo qual o Reino de Sérvios, Croatas e Eslovenos é conhecido, contém cerca de trinta Metrópoles e Episcopados na cabeça dos quais se coloca o Patriarca de Belgrado; pois desde 1922 a Igreja Ortodoxa da Sérvia foi elevada à categoria de Patriarcado. Essa Igreja, também, é governada por dois Sínodos, anual e permanente, ambos presididos pelo Patriarca Sérvio.

A Igreja da Romênia nos Tempos Modernos.

Outro país Ortodoxo cujas fronteiras foram notavelmente alargadas pelas guerras recentes é a Romênia. Os romênos apareceram pela primeira vez nos Balkans durante o século doze e eram chamados Vlachs por seus contemporâneos. Descendentes dos antigos colonizadores romanos e falando uma língua latina, eles constituem o único povo de origem romana que não reconhece a Igreja Católica-Romana. De início, se juntaram com os seus vizinhos búlgaros para formar o Império Vlachobúlgaro e lançaram guerra contra o Império Bizantino, mesmo estando submetidos à influência cultural deste. Mais tarde, porém, os Vlachs e Búlgaros se separaram, devido às suas diferenças tanto de origem quanto de língua. A dependência da Igreja da Romênia do Patriarcado Ecumênico durante o período da dominação turca é evidente e atestada pelos catálogos da época, nos quais as províncias romenas são enumeradas entre as que estão sujeitas ao Patriarcado. Na verdade, certas cidades da história romena como Bucareste, Jassy e outras desenvolveram-se em centros de cultura grega, graças às grandes colônias gregas estabelecidas lá antes da Revolução Grega, e graças aos gregos Phanariotes que do século dezessete em diante foram mandados para lá pelos Sultões como governadores dessas regiões.

Quando pelo Tratado de 1856 a Romênia conquistou sua independência política, o Príncipe Couza, seguindo exemplo das Igrejas da Rússia e da Grécia, procurou retirar a Igreja da Romênia inteiramente da jurisdição do Patriarcado Ecumênico e introduzir uma nova ordem nos assuntos em harmonia, como ele pensou, com as necessidades dos tempos modernos. As leis reformistas de Couza passaram pelo Parlamento romeno em 1864 e 1865. Por um longo período, no entanto, o Patriarcado Ecumênico resistiu a essa mudança; primeiro, porque, na nova legislação havia a tendência da Igreja ser colocada em subservência do estado, e segundo porque no ardor de sua reforma Couza confiscou todas as mais ricas propriedades tidas na Romênia pelo Monte Athos, Sinai e Santo Sepulcro, sem nem compensar seus proprietários nem usá-las para propósitos eclesiásticos. Finalmente em 1885, sob o Patriarcado de Joaquim IV, a Grande Igreja publicou o Tomo Sinótico, no qual a Igreja do Reino da Romênia (pois a Romênia tinha sido tornada em um reino em 1881) foi legalmente proclamada uma independente e auto-governada Igreja-Irmã.

Ainda existiram fricções ocasionais entre a Romênia e a Igreja-Mãe, como na questão dos Coutsovlachs da Macedônia, a quem a Romênia insistiu em tratar como romenos, apesar do desejo deles de pertencer ao Patriarcado Ecumênico, cujo destino eles tinham compartilhado por séculos. É de se esperar, no entanto, que essa dificuldade também venha a ser resolvida pelas novas fronteiras determinadas pela Guerra Mundial. Hoje em dia, a Igreja Ortodoxa da Romênia inclui vinte e oito Metropolitas, Bispos e Bispos assistentes, eleitos por uma assembleia geral de bispos e membros das câmaras Baixa e Alta do Parlamento. É governada por um Sínodo Periódico que se reúne sob a presidência do Patriarca de Bucareste; pois a Igreja da Romênia, como a da Sérvia, foi elevada ao nível de Patriarcado em 1925 por conta do grande aumento no tamanho do reino.

A Igreja da Bulgária nos Tempos Modernos.

O forte sentimento de patriotismo característico das Igrejas Ortodoxas Locais tem frequentemente levado-as a entrarem em colisão uma com as outras. Daí surgiu a questão Coutsovlach referida há pouco, as intrigas paneslavistas na Palestina e em outros lugares, e a longa, e sanguinolenta disputa causada pela rivalidade nos Balkans durante os anos de desgoverno turco, quando a religião foi usada como um pretexto para a criação ou extensão de direitos políticos. Todas essas alterações são penosas para o coração ortodoxo; mas nenhuma mais penosa do que o modo irregular pelo qual a Igreja da Bulgária procurou sua emancipação do Patriarcado, de cuja proteção ela gozou em tempos mais perturbados.

Era perfeitamente natural que a liberação da Grécia, Sérvia e Romênia do jugo turco viesse a acender a chama da Bulgária independente. Mas enquanto os outros povos dos Balkans tinham primeiro ganho sua liberdade política e depois a independência eclesiástica, os búlgaros reverteram o processo, e perseguiram a independência eclesiástica com terrorismo e dinamite como meio para suas conquistas políticas. Apesar de um dos principais princípios da Lei Canônica ser o de que dois líderes da Igreja Ortodoxa de igual nível nunca poderão existir lado a lado no mesmo lugar, em 1870, pela autoridade de um turco incendiário, os búlgaros deliberadamente criaram um exarcado em Constantinopla, como a suprema cabeça da nação búlgara e rival e igual ao Patriarca Ecumênico. O Patriarcado procedeu de modo a fazer todas as concessões possíveis.

Ele permitiu o uso da língua búlgara em todas as escolas da Bulgária; mandou bispos búlgaros para a Bulgária; e aceitou o estabelecimento do exarcado búlgaro exclusivamente para a nação búlgara, com a única ressalva de que ele em público deveria comemorar o nome do Patriarca (nos ofícios). Mas os búlgaros não aceitaram nenhum compromisso com seu olho na Macedônia e Trácia, sonhavam com um grande império búlgaro estendendo-se tão longe quanto o Mar Egeu e o Adriático, e incorporando uma população mista de gregos, sérvios, albaneses e vlachos, com sua capital em Constantinopla. Queriam que eles e seu exarcado governassem não só em regiões puramente búlgaras, mas em territórios mistos também assim como em territórios estrangeiros, de modo que por meio de seus comissariados pudessem marcar todo o Balkans com uma impressão búlgara e assim preparar o caminho para a nova cosmogonia que estava se aproximando.

Era impossível para a Igreja Mãe aceitar essa situação. Convocando então um grande Sínodo em Constantinopla em 1872, com a presença de cinquenta membros sob a chefia do Patriarca Anthimus VI, a Igreja Mãe excomungou os búlgaros por causar um cisma no corpo eclesiástico da Ortodoxia por sua subserviência aos interesses políticos, procedimento não consoante com o Evangelho. Daí para frente, as relações entre o Patriarcado e o Exarcado Búlgaro tornaram-se desgastadas e frágeis. A responsabilidade toda do episódio, no entanto, não deve ser considerada só da Bulgária; pois, por trás dela, o pan-eslavismo russo estava oculto, maquinando para fazer da Bulgária uma ponte para a conquista de Constantinopla e a russificação dos Bálcãs. A recente guerra mundial pôs um fim às ambições russas.

A Bulgária agora é um reino dentro dos seus limites naturais. O novo mundo balkânico foi criado, e a Macedônia definitivamente tem sua porção. Não há dúvida de que, já que as causas de fricção foram removidas, as relações entre a Bulgária e o Patriarcado serão regularizadas e restauradas logo, para satisfação de todos que desejam ver a Igreja Ortodoxa Oriental como um corpo único, compacto e imponente.

A Igreja da Síria.

É bem sabido que foi em Antioquia que os seguidores de Cristo foram chamados pela primeira vez de Cristãos. A Igreja da Antioquia foi fundada pelo Apóstolo Paulo, que lá chefiou a Igreja por sete anos de 37 a 44 A.D. Nos primeiros tempos Cristãos, Antioquia era a cidade mais rica de toda Síria e os Cristãos de lá ajudaram muitas outras comunidades nascentes de Cristãos.

Um Concílio ocorrido em Antioquia no ano de 341 emitiu vinte e cinco Cânons que tratavam de assuntos eclesiásticos e cujos preceitos foram observados tanto pela Igreja do Oriente quanto pela do Ocidente. São João Crisóstomo, o mais eloquente pregador de todo Cristianismo, nasceu em Antioquia e começou sua carreira religiosa lá. Durante seu tempo, Antioquia era uma cidade de 200.000 habitantes e era chamada de Atenas do oriente.

Antioquia tornou-se a capital da diocese de Anatólia quando o Império Bizantino foi dividido em prefeituras por Constantino o Grande. Assim, toda a Síria foi incluída na jurisdição de Antioquia. No século sete, a Síria foi invadida pelos árabes, mas os invasores deram aos Cristãos liberdade pessoal e religiosa. Damasco foi proclamada a capital da Síria e de todo o Império Árabe. O Patriarca foi solicitado a mudar sua residência de Antioquia para Damasco, onde o Patriarca ainda está até hoje. Devido à dominação pelo islamismo do século sete ao século onze, a Igreja de Antioquia tornou-se praticamente isolada das outras Igrejas Ortodoxas Orientais.

Do fim do século onze ao começo do século quatorze, a Síria junto com a Palestina esteve sob o domínio dos Cruzados. Durante esse período os Patriarcas de Antioquia e Jerusalém viveram em exílio em Constantinopla.

No começo do século quatorze, os cruzados foram expulsos da Síria e um regime islâmico foi novamente estabelecido. Mais tarde, no século dezessete, disputas internas na Igreja de Antioquia causaram uma divisão na população com alguns tornando-se Uniatas Romanos.

Por um longo período de tempo, o Patriarca de Antioquia e seus Metropolitas foram eleitos em Constantinopla. Agora, eles são tirados da população nativa e são eleitos pela Hierarquia do Trono Patriarcal de Antioquia. Sob o Patriarca estão quatorze dioceses, cada uma encabeçada por um bispo.

(A seção acima, "A Igreja da Síria," é reprodução do livro "Faith of Our Fathers," por Rev. Leonid Soroka e Stan W. Carlson).

18. Ortodoxia na América.

Igreja Albanesa.

A Igreja Albanesa na América foi organizada pelo Dr. Fan S. Noli em Boston em 1908. Padre Noli foi ordenado em 1908 pelo Metropolita Russo Platon e eleito bispo por seu povo. Como foi mencionado, Bispo Noli retornou à Albânia para liderar a luta de seu país pela liberdade. Quando seu trabalho na Albânia foi interrompido, passou um período de tempo organizando congregações albanesas em outros países da Europa.

Bispo Noli retornou para os Estados Unidos em 1930 para reassumir a liderança da Igreja Ortodoxa Albanesa da América e no presente é o bispo da Igreja. Há treze Igrejas Ortodoxas Albanesas nos Estados Unidos, com a Catedral localizada em Boston. A Igreja Ortodoxa Albanesa na América é completamente autogovernada com nenhuma conexão ou igreja do exterior.

Igreja Búlgara.

A primeira Igreja Ortodoxa Búlgara na América foi construída em Madison, Illinois, em 1907. A imigração búlgara para os Estados Unidos cresceu muito depois de 1903, com a maioria dos Cristãos Ortodoxos Búlgaros assistindo ofícios nas Igrejas Ortodoxas Russas.

Em 1922 a Missão Ortodoxa Búlgara do Santo Sínodo da Bulgária começou tentativas para organizar os búlgaros. Em janeiro de 1938, foi estabelecido um episcopado nos Estados Unidos com o Arcebispo Andrey, o presente cabeça das igrejas búlgaras, indicado em julho de 1938.

Existem agora vinte e três paróquias organizadas da Igreja Ortodoxa Búlgara nos Estados Unidos, com mais duas no Canadá. Existem também quinze comunidades que ainda não estão constituídas como paróquias. A Catedral está localizada em Nova York e a jurisdição do Metropolita inclui as Américas do Norte, do Sul e a Austrália.

Igreja Grega.

As fundações da primeira Igreja Ortodoxa Grega no Novo Mundo, América, foram lançadas no ano de 1866 em Nova Orleans.

Na verdade, isso foi quatro anos antes do efetivo começo da imigração para as Américas dos primeiros Cristãos Ortodoxos Gregos. Ainda antes dos primeiros povos imigrantes de 1870 pôr os pés na nova terra, essa primeira pequena igreja existiu em Nova Orleans como resultado da esperança de alguns poucos mercadores gregos residentes nessa cidade. Os gregos têm um forte sentimento pela religião de seus antepassados e, com o tempo passando, com a imigração crescendo, as igrejas nasceram rapidamente em várias áreas das Américas. Nesse período a jurisdição dessas comunidades de Cristãos gregos veio a ficar com o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Padres eram enviados da terra-mãe para as igrejas do novo mundo.

Em março de 1908, o Patriarcado Ecumênico, encabeçado pelo Patriarca Joaquim III, transferiu a jurisdição espiritual das Igrejas Ortodoxas Gregas "no exterior" para o Santo Sínodo da Igreja da Grécia. Isto foi mantido pelos dez anos seguintes para muita desvantagem das comunidades na América — desvantagem porque não havia líder religioso presente, em solo americano, para providenciar a necessária organização numa área espalhada de muitas comunidades crescentes.

Felizmente, Meletios Metaxakis, Metropolita de Atenas, visitando os Estados Unidos em 1918, viu que a necessidade de um líder religioso era indispensável justo ali, não no país-mãe. Começou imediatamente a organizar as Igrejas Ortodoxas Gregas nas Américas estabelecendo o conclave sinódico em 20 de outubro de 1918, com o Bispo Alexander Rodostolou como Supervisor Sinódico.

O Metropolita de Atenas, Meletios, voltou para a Grécia, mas regressou à América em três anos para continuar a organização da igreja. Isso era fevereiro de 1921. Enquanto ainda residindo na América, em 25 de novembro daquele ano, foi elevado para o posto de Patriarca Ecumênico de Constantinopla como Meletios IV. No mês de janeiro de 1922, ele chegou em Constantinopla.

Lá em sua nova posição, por um Ato Sinódico em março, revogou o Decreto Patriarcal de 1908. Assim, todas as comunidades gregas no exterior foram postas diretamente sob o Patriarcado Ecumênico e foram removidas da dependência do Santo Sínodo da Grécia. Em 11 de maio de 1922, ele declarou a Igreja da América uma Arquidiocese. Colocou o Bispo Alexander Rodostolou como Arcebispo das Américas do Norte e do Sul, com três Episcopados: Boston, Chicago e São Francisco. Isso foi progresso. Existiram embaraços para agilizar o progresso entre 1922 e 1930. Durante esse período eventos políticos na Grécia dividiram os gregos na América. As comunidades tornaram-se divididas eclesiasticamente, pois para um Cristão Ortodoxo, o âmago de sua vida é sua igreja. Felizmente, a necessidade de unidade religiosa e concordia foi conseguida a tempo. O eleito Patriarca de Constantinopla Photius II tomou o encargo da eliminação da discórdia.

O Metropolita de Corinto Damaskinos foi enviado para a América em maio de 1930 com o propósito de temporariamente governar as comunidades gregas na América e estabelecer a ordem. Durante o mesmo ano, o Arcebispo Alexander e os Bispos Philaretos de Chicago e Joaquim de Boston, partiram para a Grécia onde foram indicados como Metropolitas.

Em 20 de agosto desse mesmo importante ano, o Metropolita Athenagoras de Kerkyra foi eleito Arcebispo da América, chegando em Nova York em 24 de fevereiro de 1931. Dois dias depois, 26 de fevereiro, foi entronado na Igreja de São Eleftherios em Nova York. Enquanto isso, o Metropolita Damaskinos, tendo cumprido sua missão de restabelecer a ordem, voltou para casa.

Nos anos seguintes, existiram outras mudanças eclesiásticas. Em 1949 o Arcebispo Athenagoras havia servido como líder da Igreja Ortodoxa Grega na América por dezoito anos, um bem amado e importante batalhador pela fé. Ele deixou a posição ao ser indicado Patriarca de Constantinopla.

O Reverendíssimo Miguel, Metropolita de Corinto, veio nesse tempo servir como Arcebispo das Américas do Norte e do Sul, pois, no Santo Sínodo de 11 de outubro de 1949, ele havia sido eleito para essa função. O Arcebispo Miguel é agora assistido pelos Bispos Germano Nyssa, Atenágoras de Elaia, Ezequiel de Nazianzo, Demetrio de Olimpo, Germanos de Constancia, Polyefktos de Tropaiou e Irenaios de Abydus para a América do Sul.

Sob a jurisdição da Arquidiocese Grega das Américas do Norte e Sul, há o seguinte: todas as comunidades gregas nos Estados Unidos, no Canadá, nas Ilhas Bahamas, em Cuba, no México, na República do Panamá, na Argentina, no Brasil e no Uruguai. As 357 comunidades estão agora bem organizadas e existem mais de 400 padres servindo a elas.

As comunidades sustentam escolas paroquiais, escolas dominicais e instalações da Greek Orthodox Youth of America (GOYA) ou Juventude Ortodoxa Grega na América. Três quartos das comunidades têm escolas gregas à tarde, escolas dominicais, ensaios de coral e sociedades de senhoras caridosas. Mais da metade tem clube de jovens afiliados à GOYA e aos Olympians (Organização Nacional dos Jovens Juniores da Arquidiocese Ortodoxa Grega). Existem também agora sete capelães Ortodoxos orientais servindo nas forças armadas dos Estados Unidos e dois deles são Ortodoxos Gregos.

A Arquidiocese mantém o Seminário Teológico estabelecido em 1937 em Pomfret, Connecticut, e transferido para Brookline, Massachusetts,em 1946. No seminário, jovens americanos de linhagem greco-ortodoxa são treinados para o presbiterado ou para professores.

A Arquidiocese em 1944 estabeleceu a Academia de São Basílio em Garrison, Nova York. Ela tem dois ramos — uma para preparação de mulheres gregas para professoras e o outro para uma escola pública para meninas muito novas de parentesco grego. Essa academia particularmente está sob os cuidados da Sociedade Philoptocos de Senhoras Gregas.

A diminuta fundação da pequena igreja em Nova Orleans, construída por poucos esperançosos mercadores gregos, desenvolveu-se a Igreja Ortodoxa Grega da América, agora um membro tanto do Nacional quanto do Mundial Conselho de Igrejas de Cristo. Em agosto de 1954, o Arcebispo Miguel foi nomeado um dos seis copresidentes do Conselho Mundial de Igrejas de Cristo. A fundação foi construída sobre a fé e esperança e mantém-se hoje em sólida verdade para um sempre crescente mundo Cristão.

Igreja Romena.

A primeira Igreja Ortodoxa Romena a ser estabelecida nos Estados Unidos foi a de Santa Maria em Cleveland, Ohio, que foi organizada em 15 de agosto de 1904. Antes disso, em 1901, duas Igrejas Ortodoxas Romenas foram organizadas no Canadá. O primeiro padre romeno a visitar os Estados Unidos foi o Reverendo George Hertea, mas sua estada no país foi somente temporária. Padre Moses Balea, que veio a ser o pároco de Santa Maria, em Cleveland em novembro de 1905, foi o primeiro do clero a vir para os Estados Unidos e ficar.

Até o tempo da 1ª Guerra Mundial, todos os clérigos romenos vinham da Romênia, mas com o corte da imigração, numerosos americanos de origem romena foram ordenados por Bispos Ortodoxos Russos da América. Muitos anos depois do término da 1ª Guerra Mundial, o Metropolita de Sibiu na Transilvânia mandou onze padres para a América, dos quais cinco permaneceram nos Estados Unidos permanentemente.

Começando em 1911, inúmeras tentativas de organizar um diocese americana da Igreja Ortodoxa Romena foram feitas. Em 24 de fevereiro de 1918, um grupo de delegados que se reuniram em Youngstown, Ohio, votou para o estabelecimento de um episcopado nos Estados Unidos. Esse episcopado foi incorporado e seu estabelecimento foi confirmado num encontro subsequente mantido em Cleveland, Ohio, em abril de 1923. A organização, no entanto, não se tornou ativa.

A necessidade de uma organização unificada da Igreja Romena na América tornou-se mais clara em 1924 quando se descobriu que três fontes de autoridade eclesiástica eram reconhecidas por clérigos ortodoxos romenos. Aqueles ordenados na Romênia consideravam-se sob a jurisdição do Metropolita da Transilvânia, os ordenados na América reconheciam o Bispo Russo-Americano Adam e os do clero no Canadá consideravam-se sob a autoridade do Metropolita da Moldávia.

Um Episcopado Ortodoxo Romeno foi organizado num congresso da igreja em Detroit, Michigan, em abril de 1929. Essa nova Diocese Ortodoxa Romena na América foi encabeçada por uma comissão provisória composta por quatro padres e oito homens leigos com o Reverendíssimo John Trutza de Cleveland como presidente. Foram feitas repetidas solicitações de envio de um bispo para os Estados Unidos.

Em 24 de março de 1935, o Justo Reverendo Policarpo Morusca foi consagrado bispo para a Diocese Americana. Ele foi empossado em 4 de julho de 1935, na Catedral de São George em Detroit. Sob o Bispo Policarpo a Igreja Ortodoxa Romena na América cresceu para mais de quarenta paróquias.

O Bispo Policarpo retornou a Romênia em agosto de 1939, para estar presente num Santo Sínodo. A eclosão da Segunda Guerra Mundial logo depois, impediu seu retorno à América e as modificações políticas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial complicaram ainda mais a situação e ele permaneceu na Europa. O Bispo Policarpo ainda é o chefe canônico do Episcopado Americano.

As Igrejas Romenas Americanas decidiram recentemente retornar ao seu estado original de autonomia. Em 2 de julho de 1951, o Reverendíssimo Valeriano D. Trifa foi eleito Bispo coadjutor em um congresso na igreja havido em Chicago, Illinois, e o nome da diocese americana foi oficialmente mudado para Episcopado (Diocese) Ortodoxo Romeno da América.

A Igreja Ortodoxa Romena na América é dividida em cinco reitorias ou distritos: Cleveland, Chicago, Detroit, Philadelphia e Canadá.

Igreja Russa.

A Igreja Ortodoxa Russa veio para a América via Alasca. Vitus Bering, um dinamarquês que entrou para a Marinha Russa em 1704, foi escolhido por Pedro o Grande para explorar o Pacífico Norte. Antes de Bering deixar São Petersburgo em 1725, Catarina a Grande, que sucedeu Pedro, deu seu apoio ao plano.

Durante uma viagem exploratória ele provou que a Ásia e a América do Norte eram continentes separados e a seguir ele retornou por terra a São Petersburgo. Ele então construiu dois navios, dando-lhes os nomes de São Pedro e São Paulo, e navegou em direção leste partindo de Kamchatka em 1741. Durante a viagem os barcos se separaram e nunca mais se reuniram. Dirigido por tempestades e com sua tripulação morrendo de escorbuto, Vitus Bering aportou em uma ilha do grupo das Ilhas dos Comandantes. Essa ilha, onde Bering morreu, recebeu seu nome em sua homenagem. As viagens de Bering esclareceram a geografia do Pacífico Norte todo e foram a base para as demandas russas sobre a costa noroeste da América.

O Alaska, mais tarde comprado da Rússia pelos Estados Unidos em 1867 por US$ 7.200.000, estava incluído nas descobertas de Bering e tornou-se conhecido como América-Russa. A primeira colonização russa teve lugar em 1783.

Expedições mercantis russas percorreram a costa oeste da América e em 1809 um estabelecimento russo foi instalado na Califórnia, localizado cerca de sessenta milhas ao norte de São Francisco, e recebeu o nome de Forte Ross.

Os russos que se instalaram no Alasca e na Califórnia fundaram igrejas logo depois de sua chegada. Os primeiros missionários Ortodoxos Russos, chegaram na Ilha Kodiak, fora do continente no Alaska, em agosto de 1794. A primeira missão tinha um duplo propósito: dar ofícios espirituais aos homens da Russian Trading Company e evangelizar os nativos Aleutas. O líder dessa missão foi o Arquimandrita Joasaph.

A religião ortodoxa floresceu e logo se espalhou por todas as partes das Ilhas Aleutas e para o Alaska. No Alaska, uma Igreja Ortodoxa Russa foi construída no atual local de Sitka em 1815. Esse edifício tornou-se a Catedral da primeira Diocese Ortodoxa Russa no continente americano. Inocêncio (Vemiaminoff), que foi ordenado em 15 de dezembro de 1848, tornou-se o primeiro bispo dessa diocese.

Em 1869, dois anos depois da Rússia ter vendido o Alaska para os Estados Unidos, uma Igreja Ortodoxa Russa foi construída em São Francisco, Califórnia, e em 1871 o Bispo João transferiu a sede de sua Catedral de Sitka, Alaska, para São Francisco. O Bispo Nestor, que sucedeu o Bispo João, recebeu permissão especial do Sínodo Russo em 1881 para estabelecer sua diocese em São Francisco e uma propriedade no ano de 1715 da Powell Street foi comprada por US$ 38.000 para esse propósito.

Em 1888, o Bispo Vladimir veio para São Francisco para suceder o Bispo Nestor e durante sua administração, a primeira paróquia Russa-Uniata, localizada em Minneapolis, Minnesota, retornou para o rebanho Ortodoxo. O Reverendíssimo Alexis Toth era o padre da congregação em Minneapolis que se tornou a Paróquia-Mãe de todas as Igrejas Ortodoxas Russas nos Estados Unidos e no Canadá localizadas a leste de São Francisco.

O Bispo Nicolas sucedeu o Bispo Vladimir em 1891 e em 1898 o Bispo Nicolas foi sucedido pelo Bispo Tikhon, que mais tarde tornou-se Patriarca da Rússia. Tikhon fundou o primeiro Seminário Teológico Russo em Minneapolis, Minnesota, em 1905. O prédio do seminário ainda existe e agora é usado para aulas de classes dominicais e organizações da Igreja Ortodoxa Russa de Santa Maria. Essa primeira escola missionária também foi estabelecida em Minneapolis em 1897.

O Bispo Tikhon também transferiu a sede episcopal e o Consistório Eclesiástico de São Francisco para a cidade de Nova York, onde a sede da Ortodoxia Russa para esse hemisfério está ainda localizada. A Catedral de São Nicolau em Nova York foi construída em 1901. Ele foi elevado para o nível de Arcebispo em 1903 com jurisdição sobre toda a América do Norte. Sucessores de Tikhon foram os Arcebispos Platon e Eudokim. Sob a administração de Platon mais de cem novas paróquias foram formadas.

Em 1919 a Igreja Russa na América realizou seu primeiro Sobor ou Concílio Geral em Pittsburgh, Pennsylvania. Um segundo Sobor foi realizado em Detroit em 1924 no qual o Metropolita Platon foi escolhido o Bispo dirigente. Ele tinha previamente encabeçado a Igreja Ortodoxa Russa na América de 1907 a 1914. O mesmo concílio declarou que daí em diante a Igreja na América seria autônoma.

O Metropolita Platon morreu em abril de 1934. Ele foi sucedido pelo Bispo Teófilo sob cuja gestão a Federação dos Clubes Ortodoxos Russos foi fundada. Desde a morte de Teófilo em 1950, Metropolita Leonty tem comandado as Igrejas Ortodoxas Russas das Américas do Norte e do Sul.

O crescimento da Ortodoxia na América do Norte tem sido firme. Nos Estados Unidos, no Canadá e no Alasca existem várias centenas de paróquias da fé Ortodoxa Russa.

Igreja Sérvia.

A imigração sérvia para os Estados Unidos atingiu sérias proporções por volta de 1890 e quatro anos mais tarde, em 1894, a primeira Igreja Sérvia na América foi fundada em Jackson, Califórnia, pelo Arquimandrita Sebastian Dabovich. A igreja foi dedicada a São Savas, o grande Santo nacional da Sérvia. Até depois da 1ª Guerra Mundial, o bem-estar espiritual da Igreja Sérvia na América estava sob a direção do Bispo Russo de São Francisco.

Em 1900 existiam seis congregações sérvias na América e em 1906 existiam dez. Quinze anos depois, esse número havia crescido para vinte. Em 1926, com trinta e cinco igrejas sérvias constituindo a diocese americana, o Arquimandrita Mardary Uskokovich foi consagrado pelo Patriarca Dimitri da Sérvia como o primeiro Bispo da Igreja Ortodoxa Sérvia na América. Sob sua direção, a diocese aumentou para quarenta e seis paróquias nos Estados Unidos e no Canadá. A Catedral da Igreja Sérvia, construída e aberta em 1945, está localizada na cidade de Nova York.

Igreja Síria.

Em 1878 consta o registro da primeira família síria vinda para a América, mas houve pouca imigração da Síria e do Líbano até cerca de 1890. De 1900 a 1910 cerca de 5.000 pessoas por ano imigraram desses países para os Estados Unidos com um pico de cerca de 9.000 chegando em 1913 e 1914.

A missão síria da Igreja Ortodoxa Russa foi fundada em 1892 e tomou o encargo do bem-estar do povo Ortodoxo sírio no Novo Mundo, e a primeira sociedade eclesiástica síria foi fundada em Nova York em 1895.

O Arquimandrita Rafael Hawaweeny foi trazido da Academia de Kazan em outubro de 1895 para supervisionar as atividades da Igreja Síria na América. Em 1904 ele foi consagrado como Bispo-Vigário para o episcopado russo e tornou-se o primeiro Bispo Ortodoxo de qualquer nacionalidade a ser consagrado nos Estados Unidos. Ele serviu toda sua capacidade até sua morte em 1915.

Em 1914, o Metropolita Germanos, o Bispo de Zahle, Líbano, do Patriarcado de Antioquia, veio para a América e durante sua estadia nos Estados Unidos, várias paróquias foram organizadas. Em 1924, existiam dezessete Igrejas Ortodoxas Sírias com pastores residentes e mais sete com um padre atendente, mas sem construção paroquial. A missão síria da Igreja Russa consistia em vinte e duas paróquias adicionais e uma missão sob a jurisdição do Bispo Aftimios Ofeish que havia sido consagrado como Bispo de Brooklin em 1917 sucedendo o Bispo Rafael.

Por vários anos, as Igrejas Sírias da América permaneceram em jurisdições eclesiásticas separadas . Em 1933, o então Arcebispo Aftimios resignou e o Metropolita Germano voltou para Beirut, onde ele morreu em 1934. O Bispo Victor Abo-Assaley, representando o Patriarca de Antioquia nos Estados Unidos, morreu em setembro de 1934.

O Arquimandrita Antony Bashir foi indicado como Vigário na América pelo Patriarca e foi subsequentemente eleito Bispo das Igrejas Sírias na América. Em 1936, ele foi consagrado em Nova York pelo Metropolita Theodosios de Tiro e Sidon que havia sido enviado para os Estados Unidos para esse propósito. Em junho de 1940, o Arcebispo Antony foi elevado para o nível de Metropolita de Nova York e toda a América do Norte. Sob sua liderança, a Igreja Ortodoxa Síria cresceu para oitenta paróquias nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

Igreja Ucraniana.

O começo da história da Igreja Ucraniana é paralelo à Igreja Russa. Mais tarde, sob domínio dos poloneses e subsequente dominação comunista, a Igreja Ortodoxa da Ucrânia tornou-se praticamente inexistente. A Igreja Ortodoxa Ucraniana independente, tanto nos Estados Unidos quanto na Ucrânia, veio a existir depois da 1ª Guerra Mundial.

Várias centenas de milhares de ucranianos migraram para os Estados Unidos de 1870 até 1914 e muitas das primeiras congregações ucranianas nesse país entraram na jurisdição da Igreja Ortodoxa Russa. Uma grande migração posterior, entre 1945 e 1951, aumentou o número de ucranianos na América.

A Igreja Ortodoxa Ucraniana na América fez sua primeira convenção em 1931. Congregações consistindo em ex-Uniatas foram acrescentadas às paróquias Ortodoxas Ucranianas e o Reverendíssimo Joseph Zuk foi escolhido como bispo eleito da diocese americana em julho de 1932. Ele foi consagrado em setembro desse ano e serviu como cabeça das Igrejas Ortodoxas Ucranianas na América até sua morte em 23 de fevereiro de 1934.

O Bispo Bohdan Shpilka, que sucedeu o Bispo Zuk, foi consagrado pelo Arcebispo Athenagoras da Igreja Ortodoxa Grega em 28 de fevereiro de 1937. Ele ainda serve como o chefe das Igrejas Ortodoxas Ucranianas Americanas sob o Patriarcado Ecumênico. Tecnicamente, o Bispo Bohdan é um Sufragan (Bispo Assistente) do Arcebispo Grego dentro da jurisdição do Patriarcado de Constantinopla. Existem quarenta e cinco paróquias e missões sob o Bispo Bodhan com a Catedral localizada em Nova York.

A Igreja Ortodoxa Ucraniana Americana foi organizada cerca de 1919-1920 como uma igreja independente. Em fevereiro de 1924, o Arcebispo João Teodorovich chegou nos Estados Unidos de Kiev, Ucrânia. Ele foi escolhido Bispo eleito da Igreja Ortodoxa Ucraniana Americana e Argentina. As igrejas ucranianas cresceram em número depois das maciças migrações para a América depois da 2? Guerra Mundial.

Numa convenção havida em 1949 em Allentown, Pennsylvania, o Arcebispo Mstyslaw S. Skrypnik foi eleito o chefe da Igreja Ortodoxa Ucraniana da América com o Bispo Bodhan como auxiliar (sufragan).

Em outubro de 1950, a Igreja Ortodoxa Ucraniana da América, chefiada pelo Arcebispo Mstyslan S. Skripnik, e a Igreja Ortodoxa Ucraniana Americana, chefiada pelo Arcebispo João Theodorovich, juntaram-se para formar a Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos da América sob jurisdição independente. O Bispo Bodhan não se juntou a essa fusão e tornou-se chefe das Igrejas Ucranianas que permaneceram sob a jurisdição do Patriarcado Ecumênico.

A Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos tem sua sede em South Brook, Nova Jersey, e inclui noventa e seis paróquias nos Estados Unidos sob sua jurisdição. O Reverendíssimo Metropolita João Theodorovich chefia a igreja. O Metropolita Dr. Ilarion Ohienko, com sede em Winnipeg, chefia a Igreja Ortodoxa Ucraniana Independente no Canadá.

(O material de texto desse capítulo, exceto a seção sobre a Igreja Grega, é reproduzido de Faith of Our Fathers: The Eastern Orthodox Religion, pelo Reverendo Leonid Soroka e Stan W. Carlson, publicado pela Olympic Press, 806 N. E. Fourth Street, Minneapolis 13, Minnesota, e com direitos autorais de 1954 por Stan W. Carlson.) Esse material foi reproduzido por especial permissão do detentor dos direitos autorais.


Fonte: https://www.fatheralexander.org/page23.htm